Cânones de Dort - Domingo 9

Eleição Não Baseada em Presciência de Fé

Esta mesma eleição não aconteceu com base em previsão de fé, de obediência à fé, de santidade, ou de qualquer outra boa qualidade ou disposição, como se fosse baseada em um pré-requisito, uma causa ou uma condição na pessoa a ser escolhida, mas ao contrário, [aconteceu] para o propósito da fé, da obediência à fé, da santidade, e assim por diante. Concordemente, a eleição é a fonte de cada um dos benefícios da salvação. A fé, a santidade, e os outros dons da salvação, e ao final a própria vida eterna, fluem da eleição como seus frutos e efeitos. Como diz o apóstolo: Como também nos elegeu... (não porque seríamos, mas)... para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor (Ef.1:4).

E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Rm 8:30

Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor. Ef 1:4

Leia o primeiro artigo da série: 1. O direito de Deus de condenar todas as pessoas
Leia o artigo anterior: 8. Um único decreto da eleição
Leia o próximo artigo: 10. Eleição baseada na boa vontade de Deus

A Escritura é suficiente


A Palavra de Deus é suficiente para atrair e abençoar a alma do homem ao longo dos tempos; mas as novidades logo fracassam. Alguém pode bradar: "Certamente, precisamos acrescentar nossos pensamentos a isso". Meu irmão, pense o que quiser, mas os pensamentos de Deus são melhores do que os seus. Você pode ter lindos pensamentos, como as árvores no outono soltam suas folhas, mas há alguém que sabe mais sobre seus pensamentos do que você e os julga de pouco valor. Não é verdade que está escrito: "O Senhor conhece os pensa-mentos do homem, e sabe como são fúteis?" (Sl 94.11). Comparar nossos pensamentos aos grandes pensamentos de Deus, seria total absurdo. Você traria sua vela para mostrá-la ao sol? O seu nada para reabastecer o todo eterno? É melhor calar diante do Senhor, do que sonhar em complementar o que ele falou. A Palavra do Senhor está para a concepção dos homens como um pequeno jardim, para o deserto. Mantenha-se no escopo do livro sagrado e estará na terra que mana leite e mel; por que tentar lhe acrescentar as areias do deserto?

Charles Spurgeon
In: Recebido por email

Evangelho e calvinismo

Eu tenho minha própria opinião particular de que não há tal coisa como pregar Cristo e Ele crucificado, a menos que nós preguemos que nos dias de hoje isto é chamado de Calvinismo. É um apelido chamar a isto de Calvinismo; o Calvinismo é o evangelho, e nada mais. Eu não creio que podemos pregar o evangelho, se não pregarmos a justificação pela fé, sem obras; nem sem pregarmos a soberania de Deus e Sua dispensação de graça; nem sem exaltarmos a eleição, pelo inalterável, eterno, imutável, conquistador amor do SENHOR; nem penso que podemos pregar o evangelho, a menos que o baseemos sobre a especial e particular redenção de Seu povo eleito e escolhido o qual Cristo formou sobre a cruz; nem posso eu compreender um evangelho que deixa santos decaírem após serem chamados, e sujeitar os filhos de Deus a serem queimados no fogo da condenação após terem uma vez crido em Jesus. Tal evangelho eu abomino.

Deus fala


Nunca é demais realçar a importância da fala divina como recurso fundamental de sua autorrevelação. A própria criação é o produto da fala divina: Deus fala, e mundos vêm à existência (Gn 1). Muitos dos mais impressionantes feitos de revelação não seriam compreensíveis sem a correspondente fala divina.

Moisés vê a sarça ardente com curiosidade até que a voz lhe diz para tirar as sandálias e lhe atribui suas novas responsabilidades. Abraão não teria tido motivo algum para sair de Ur se não fosse pela revelação divina em palavras. Vez após vez, os profetas carregam o peso de transmitir “a palavra do Senhor” ao povo. A revelação verbal é essencial mesmo no caso do Senhor Jesus: durante os dias em que viveu no mundo ele foi, antes de tudo, o mestre. Além disso, sem a explicação do significado de sua morte e ressurreição, preservada tanto nos evangelhos quanto nas epístolas, mesmo esses acontecimentos cruciais teriam sido lastimavelmente obscuros.

A fala divina é tão fundamental em sua autorrevelação que, quando o evangelista João busca uma maneira completa de referir-se à derradeira autorrevelação em seu Filho, escolhe referir-se a ele como “o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1,14). O cavaleiro de Apocalipse 19 é chamado assim: “Fiel e Verdadeiro [...] Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus” (19.11,13).

D. A. Carson
In: Comentário Bíblico Vida Nova

E nós?

Quando Jimmy Carter estava na presidência, um amigo foi convidado para falar num congresso de missões nos Estados Unidos da América. Cerca de 4 mil pessoas esperavam atentas a palavra do pastor Greg Livingstone (hoje diretor de uma missão no norte da África). Concederam-lhe um minuto para falar. Ele foi à frente e fez a seguinte pergunta: “Quantos de vocês estão orando pela libertação dos 52 americanos sequestrados no Irã?”. Os mais velhos lembram-se da grande preocupação causada pelo sequestro daqueles americanos. Quase todas as mãos se levantaram no auditório, indicando a preocupação generalizada. Em seguida, fez outra pergunta: “Quantos estão orando pela libertação de 52 milhões de iranianos das algemas de Satanás?”. Os braços foram abaixando até não restar mais que um ou dois em toda aquela multidão. Meu amigo sentou-se, sem utilizar todo o seu minuto, dizendo: “Percebo que vocês são mais americanos que cristãos!”.

Russel Shedd
In: Perspectivas no movimento cristão mundial, Mundo Cristão

O martírio de Policarpo

Então, Policarpo entrou em uma arena cheia de pessoas enfurecidas. O procônsul romano parecia respeitar a idade do bispo. Como Pilatos, queria evitar uma cena horrível, se fosse possível. Se Policarpo apenas oferecesse um sacrifício, todos poderiam ir para casa.

— Respeito sua idade, velho homem — implorou o procônsul. Jure pela felicidade de César. Mude de idéia. Diga "Fora com os ateus!".

O procônsul obviamente queria que Policarpo salvasse a vida ao separar-se daqueles "ateus", os cristãos. Ele, porém, simplesmente olhou para a multidão zombadora, levantou a mão na direção deles e disse:

— Fora com os ateus!

O procônsul tentou outra vez:

— Faça o juramento e eu o libertarei. Amaldiçõe Cristo!

O bispo se manteve firme.

— Por 86 anos servi a Cristo, e ele nunca me fez qualquer mal. Como poderia blasfemar contra meu Rei, que me salvou?

(...)

O procônsul ordenou que o bispo fosse queimado [23 de fevereiro de 156 d.C.].

Fonte: 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo

Para eles ou contra si mesmos?


"Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos" Lc 7:35

Em primeiro lugar, agradeço-lhe a consideração de ler, analisar e comentar o meu artigo do Cinco Solas. Não tenho condições de uma resposta completa e nem pretendo ter a palavra final, mas por ora faço algumas considerações ao artigo "Reafirmo: sem liberdade, a verdade não aparece". Escrevo num tom pessoal, dirigindo-me na primeira pessoa ao irmão para não parecer que haja alguma animosidade em minhas palavras.


Cânones de Dort - Domingo 8

Um Único Decreto de Eleição

Esta eleição não é de muitos tipos; é uma e exatamente a mesma eleição para todos os que deveriam ser salvos tanto no Velho e como no Novo Testamento. Porque a Escritura declara que há um único beneplácito, propósito, e conselho da vontade de Deus, pelo qual ele nos escolheu desde a eternidade tanto para a graça quanto para a glória, tanto para a salvação quanto para o caminho da salvação, o qual ele de antemão preparou para que andássemos nele.

O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos. Dt 7:7

Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o Senhor teu Deus te dá esta boa terra para possuí-la, pois tu és povo obstinado. Dt 9:6

Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade. Ef 1:4-5

Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Ef 2:10


Leia o primeiro artigo da série: 1. O direito de Deus de condenar todas as pessoas
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Pecados óbvios, pecados sutis


Os pecados que enfrentamos nos primeiros anos de nossa fé, se não são facilmente resistidos, são, pelo menos, facilmente reconhecidos. Se eu matasse um homem, reconheceria meu erro. Se eu adulterasse, pelo menos teria o bom senso de não o anunciar. Se eu roubasse, iria esforçar-me diligentemente para não ser descoberto. Os chamados "pecados menores", os pecados da carne como foram outrora categorizados, são óbvios, e não existem apenas na comunidade religiosa, mas também na comunidade civil que protesta contra sua proliferação. Os pecados maiores, "os pecados do espírito", não se discerne tão facilmente. O diagnóstico é difícil. O que será esse arroubo de zelo? Obediência enérgica ou presunção humana? O que será essa confiança exuberante? Santa ousadia inspirada pelo Espírito Santo ou arrogância alimentada por um ego ansioso? O que será essa liderança agressiva? Fé corajosa ou auto-exaltação? E este pregador subitamente importante, com uma grande legião de seguidores apaixonados? Será ele um descendente espiritual de Pedro com seus cinco mil convertidos arrependidos ou de Arão, satisfazendo o desejo de suas dezenas de milhares com danças e cânticos religiosos em volta de um bezerro de ouro?

Não é fácil dizer. Nem um pouco fácil. Em nenhum outro lugar o engano é mais comum do que na religião. E as pessoas mais sujeitas ao engano são os líderes. Aqueles que enganam outros, enganam primeiramente a si, pois não muitos, eu acho, começam com um propósito maligno. O Diabo, afinal, é um ser espiritual. Seu modo comum de tentação não é por meio de um mal óbvio, mas por meio de um bem aparente. A forma mais comum de adoração inspirada pelo Diabo não ocorre furtivamente, com rituais de magia negra e galinhas decapitadas, mas sob as luzes brilhantes da aclamação e glória, acompanhada por belas músicas ao órgão.

Eugene Peterson
In: A vocação espiritual do pastor

O arminiano e a justificação

Uma posição intermediária, comum entre alguns que abraçam o arminianismo, não visualiza a justificação como um dom inalienável de Deus. Se o cristão falha em viver conforme um padrão mínimo de justiça, incorre na penalidade de perder sua salvação. O arrependimento e a reconciliação podem restaurar o caído à posição de filho outra vez. Assim, o cristão é direcionado a uma segurança subjetiva, que resulta em medo de condenação por parte dos que são moralmente sensíveis e em complacência por parte dos autoconfiantes.

Russel Shedd
In: Justificação, Vida Nova

O pastor profissional


Por pastor entendo um ministério, um serviço dedicado ao Reino, ou seja, alguém que exerce o dom do Espírito Santo no cuidado de um rebanho de acordo com as normas contidas nas Escrituras. É um trabalho que não visa a promoção pessoal e nem o lucro, embora dele retire o seu sustento. Trata-se de um ministro do Evangelho. Por profissional entendo alguém que luta por uma carreira bem sucedida que se estabelece pelo reconhecimento vindo de outras pessoas. Também é a busca do progresso técnico que exige resultados mensuráveis cujo corolário é a recompensa que surge por meio de altos salários e de uma boa aposentadoria.

Não há nenhum problema em ser um bom profissional na empresa ou na instituição pública. A questão é quando o ministério pastoral se profissionaliza. Isso, sim, traz prejuízos à Igreja e ao propósito de Deus quanto ao amparo e, até mesmo, a proteção do povo. Como já disse, o trabalho pastoral deve ser visto como um ministério. Trata-se de um servo que preside, de um pai que cuida, de um mestre que doutrina ou de um enfermeiro que trata. Resumindo, o pastor é aquele que dá a vida pelo rebanho e o vivifica pelo poder de Deus.


Sugestão ao Silas Malafaia

Sábado pela manhã, assistia ao programa do Silas Malafaia pela RedeTV. Lá pelas tantas, ele começou a fazer contas dos dias úteis de fevereiro, tirando sábados, domingos, feriado e dias enforcados. Enfim, sobraram quinze dias úteis. Fiquei curioso sobre o porque das contas, mas logo ele desfez minha curiosidade.

Tendo o mês menos dias úteis, os crentes teriam menos dias para depositar sua oferta. E ele teria que pagar, nos próximos dias, milhões pelos programas de televendas tele-evangelismo que mantém. Não disse exatamente quanto precisava, mas disse que faltavam milhões para pagar a fatura. E confessou, expressando grande preocupação, que não tinha de onde tirar o dinheiro.

Sinceramente, eu não poderia ofertar (não significa que ajudaria se pudesse). Mas fiquei pensando numa forma de ajudá-lo nessa situação. Então lembrei que a pouco tempo circulou uma notícia de que ele havia comprado um jatinho, que custou, vejam só, milhões. Até mandei um email para ele, perguntando se era verdade, até agora não respondeu. Suponho então que seja. E minha sugestão, caso os milhões ainda não tenham entrado (carnaval, sabe como é, os crentes vão para retiros e não tem caixa eletrônico lá) minha idéia é: venda o jatinho. No lugar dele eu venderia meu carro, apesar de que estou na quinta parcela do financiamento...

Reflexão sobre o tempo


Era o tempo em que se tinha tempo para fazer todas as coisas. Tempo para as tarefas, deveres, tempo para a família, tempo para a missa e ainda sobrava tempo para uma visitinha vez ou outra na casa dos compadres, visitar os afilhados...

Hoje, com tanta modernidade, tanta tecnologia, enxugando ao máximo o tempo para algumas coisas, ainda falta muito tempo para outras...

E tenho vivido essa falta de tempo nos últimos dias, numa expectativa de que nos próximos meses consiga retomar meu horário normal de trabalho, numa rotina em que tenha tempo para o Blog, para os Grupos, para as leituras. Quem sabe até para deitar embaixo de uma árvore vendo as núvens formarem bichos, simplesmente vendo as horas passarem, vendo o tempo passar.

Ter tempo para apreciar o tempo...

Adriana Pedroso
In: Correndo contra o tempo

Sem a verdade, a liberdade não acontece

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" Jo 8:32

Arminianos são pródigos em produzir frases cheias de efeito e vazias de significado bíblico.

- "Dever implica poder!"
- "Responsabilidade requer liberdade!"
- "Não somos robôs!".

E por aí vai. São lemas libertários que ressoam em livros, púlpitos e blogs arminianos. A última, mas nem por isso menos cheia de vácuo é "Sem liberdade, a verdade não aparece!", produzida pelo Pr. Zwinglio Rodrigues, editor do blog Dókimos. A frase é o que ele acredita ser a conclusão de Lc 7:30 e 13:34, num salto duplo exegético.

Já que todo mundo está criando frases, também criei uma, a que encabeça este post. Tem menos efeito, não é assim tão original, mas apresenta uma vantagem, é bíblica: "conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" Jo 8:32. Já as dos arminianos não podem ser amparadas por passagens bíblicas, sobrevivem à custa de uma licença poética que não deveria ter lugar na interpretação da Bíblia.

Olhemos o primeiro versículo utilizado pelo pastor Zwinglio e, querendo Deus, antes que o mundo acabe em 2012 daremos atenção ao outro verso. A passagem diz:

"E todo o povo que o ouviu e os publicanos, tendo sido batizados com o batismo de João, justificaram a Deus. Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido batizados por ele." Lc 7:29-30

Baseado nessa passagem o pastor sugere que o homem pode "rejeitar, e assim impedir, um propósito de Deus em sua vida" e que "o arminianismo está correto quando afirma que no homem restou algum bem suficientemente capaz de habilitá-lo a desejar receber ou não o Evangelho da salvação". E conclui com a poética, sonora e vazia frase "sem liberdade a verdade não aparece!".

O pastor Zwinglio cometeu alguns deslizes na sua análise, o que costuma acontecer quando alguém se deixa controlar por pressupostos arminianos não provados. Um deslize foi desconsiderar o ensino geral das Escrituras sobre a soberania da vontade divina e a escravidão da vontade humana. Uma passagem isolada não basta para negar o que é ensinado de Gênesis a Apocalipse, sobre a domínio de Deus e sobre a incapacidade do homem caído de produzir qualquer bem espiritual, antes da graça divina.

Afirmações como "o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade" (Is 46:10), "o conselho do SENHOR permanece para sempre" (Sl 33:11), "Muitos propósitos há no coração do homem, porém o conselho do SENHOR permanecerá" (Pv 19:21), "o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou" (Sl 115:3), "se ele resolveu alguma coisa, quem então o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará" (Jó 23:13), "conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade" (Ef 1:11) entre outras tantas não podem simplesmente ser postas de lado por um texto isolado e interpretado a partir de suposições humanistas.

Outro é tomar uma proposição num sentido para provar exatamente o contrário. A texto diz que os fariseus e doutores rejeitaram e a partir disso ele conclui que o homem é capaz de aceitar o evangelho. A lógica assume que o contrário de motorista bêbado é pedestre sóbrio. Não devia, mas chego a achar engraçado quando vejo arminianos tomar promessas de segurança como ameaças de queda e más escolhas feitas como prova de que boas escolhas poderiam ter sido feitas.

O ponto que o pastor quer provar com o texto é que a vontade do homem é capaz de "impedir um propósito de Deus em sua vida". Em outras palavras, o que ele está afirmando é que o homem tem poder de veto sobre os decretos de Deus e que o agir de Deus pode ser impedido ou frustrado pelo homem. Após determinar alguma coisa, Deus deve ficaria na torcida de que o homem não estrague seus planos, escolhendo ou fazendo outra coisa,contrária ao que Ele pretendia para alcançar seu propósito. Este pensamento beira a blasfêmia, por fazer a vontade iníqua do homem prevalecer sobre a vontade santa de Deus.

O que então pode ser extraído da passagem em questão?

Pensemos, primeiro, a que se refere o propósito de Deus do verso 30. Fica claro que o propósito determinado de Deus era o arrependimento seguido pelo batismo de João. A expressão "reconheceram a justiça de Deus" (Lc 7:29) é paralela a "nos convém cumprir toda a justiça" (Mt 3:15), justificativa de Jesus para deixar-se batizar por João. A rejeição dos fariseus e doutores da lei consistia em "não tendo sido batizados por ele" (Lc 7:30). O conselho Deus, aqui referido, era que todo o povo, publicanos, fariseus e doutores da lei se arrependessem e fossem batizados por João, como uma preparação espiritual para chegada do Messias.

E a quem dizia respeito este conselho? O pastor Zwinglio diz que o propósito de Deus dizia respeito especificamente aos publicanos e doutores da lei. Porém, o propósito de Deus não dizia respeito àqueles especialistas da religião especificamente, mas "todo o povo". A versão utilizada pelo pastor diz "rejeitaram o propósito de Deus para eles". Porém, esta não é a melhor tradução de "ηθετησαν εις εαυτους". A ACF, traduz "rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos", a ARA "rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus", a ARC "rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos", a LTT "rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos", a RV "desecharon el consejo de Dios contra sí mismos", a KJV "rejected the counsel of God against themselves", etc.

A passagem em questão tem o sentido de que o propósito de Deus para aquele momento era que as pessoas ouvissem a pregação do Batista, se arrependessem de seus pecados e fossem batizados. Ao se recusarem a arrepender-se (pois alguns até entraram na fila para serem batizados, mas impenitentes) eles o fizeram contra si mesmos, escolhendo ficar à margem do propósito de Deus. Só haveria real veto ao decreto de Deus se o Senhor houvesse decretado especificamente que eles seriam batizados por João e eles impedissem esse propósito. Não é o caso.

Não configurando a ação desses religiosos um veto ao conselho de Deus, demonstra esta passagem "que no homem restou algum bem suficientemente capaz de habilitá-lo a desejar receber ou não o Evangelho da salvação"? Se o texto prova alguma coisa, é que o homem pode rejeitar a oferta divina do evangelho. Que o homem é livre para e capaz de pecar é o ensino bíblico que nenhum calvinista jamais negou. O ponto é: esta passagem ensina que o homem tem habilidade para desejar e aceitar, por si mesmo, a salvação? A resposta só pode ser não. Ler "eles rejeitaram" e afirmar "viu? eles podiam aceitar" é ir além de onde o texto parou.

Mesmo assim, podemos perguntar por que o povo e os publicanos se arrependeram, mas os fariseus e doutores da lei rejeitaram a pregação do Batista? Uma resposta pode estar em Mateus, onde Jesus ora: "Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos" (Mt 11:25). Os fariseus e doutores de Lucas são um bom exemplo de "sábios e instruídos". Deus ocultou deles o conhecimento necessário à salvação. Mas por que Deus ocultou deles e revelou ao povo e publicanos? A resposta de Jesus é "Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado" (Lc 11:26). Sem uma ação reveladora de Deus ninguém chega ao conhecimento da salvação. É o que o Senhor diz em seguida "ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar" (Mt 11:27). Esta passagem explica o que acontece em Lucas 7:29-30.

O fato é que não chegamos à verdade pela liberdade, mas à liberdade através da verdade. Portanto, a expressão zwingliana vai na contra-mão da Bíblia.
Soli Deo Gloria

Cânones de Dort - Domingo 7

Eleição

Eleição [ou escolha] é o imutável propósito de Deus pelo qual ele fez o seguinte:

Antes da fundação do mundo, por pura graça, segundo o soberano bom propósito da sua vontade, ele escolheu em Cristo para a salvação um número definido de pessoas em particular dentre toda a raça humana, a qual caiu de sua inocência original, por sua própria falta, em pecado e ruína. Aqueles escolhidos não foram nem melhores nem mais merecedores que os outros, mas se prostram com eles na mesma situação de miséria. [Deus] fez isto em Cristo, o qual também designou desde a eternidade para ser o mediador, o cabeça de todos os escolhidos, e o alicerce de sua salvação. E assim [Deus] decidiu dar os escolhidos a Cristo para serem salvos, e chamá-los e efetivamente atraí-los à comunhão com Cristo através de sua Palavra e Espírito. Em outras palavras, ele decidiu conceder-lhes verdadeira fé em Cristo, justificá-los, santificá-los, e finalmente, após sua poderosa preservação em comunhão com seu Filho, glorificá-los.

Deus fez isto tudo para demonstrar sua misericórdia, para louvor das riquezas de sua gloriosa graça.

As Escrituras dizem: Como [Deus] também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado" (Ef.1:4-6). E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou (Rm.8:30).

Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; Ef 1:4

Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; Ef 1:11

Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste. Jo 17:2

Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse. Jo 17:12

Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo. Jo 17:24

Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Jo 6:37

Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Jo 6:44

Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor. 1Co 1:9

Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, Ef 1:4-6

E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou Rm 8:30

Leia o primeiro artigo da série: 1. O direito de Deus de condenar todas as pessoas
Leia o artigo anterior: 6. O decreto eterno de Deus
Leia o próximo artigo: 8. Um único decreto da eleição

Autism Sunday - Dia Internacional de Oração pelo Autismo e Síndrome de Asperger

Amanhã é o Dia Internacional de Oração pelo Autismo e Síndrome de Asperger. O dia é observado no segundo domingo de fevereiro e conhecido como Autism Sunday ou Domingo do Autismo.

Catedrais, igreja e organizações religiosas marcam o Autism Sunday para lembrar os mais de 60 milhões de pessoas com autismo e síndrome de Asperger em todo o mundo. O dia foi lançado em 2002 no Reino Unido por Ivan e Charika Corea, que tem um filho com autismo, Charin. O dia foi lançado num culto histórico na Catedral de São Paulo, em Londres. Agora é comemorado em todo o mundo. Os organizadores pedem que as pessoas também usem o Domingo do Autismo para fazer lobby e campanha sobre os graves problemas relacionados com o autismo e a síndrome de Asperger.

Ore, e se puder, faça algo mais.

Para saber mais, acesse:

Projeto Autistas

A reputação de Cristo em nós

Não devemos, contudo, nos importar muito com o que os outros pensam de nós, para o próprio benefício. Nosso interesse final é a reputação de Cristo, e não a nossa. A atenção não recai sobre o valor, a excelência, a virtude, o poder ou a sabedoria que possuímos. Ela recai sobre o fato de Cristo ser honrado pela maneira como as pessoas nos vêem. Você acha que o modo como vivemos confere boa reputação a Cristo? Será que a excelência de Cristo está sendo demonstrada em nossa vida? É isso que deve nos interessar, e não se nós mesmos estamos sendo aplaudidos.

John Piper
In: A vida é como neblina

Revelações do amor divino

Ele me mostrou um grande prazer espiritual sentido na alma, e nele eu estava repleta de eterna certeza, firmemente sustentada, sem nenhum terror doloroso. Esse sentimento era tão positivo e espiritual que eu estava inteiramente em paz, em calma e em repouso, de modo que nada na terra poderia me perturbar.

Isso durou pouco tempo. Depois fui transformada e abandonada à depressão, cansada da vida e aborrecida comigo mesma, de forma que só foi só a duras penas que preservei a paciência para continuar vivendo. Eu não tinha nenhum conforto, nenhuma calma exceto a fé, a esperança e a caridade, e essas eu tinha de fato, embora muito pouco as sentisse.

Imediatamente depois disso, o Senhor deu-me de novo conforto e repouso da alma, com prazer e certeza. Sentia-me tão abençoada e poderosa que nenhum terror, nenhuma mágoa, dor física ou espiritual que eu pudesse suportar poderia me abater.

E depois a dor voltou aos meus sentimentos, novamente seguida de alegria e prazer — primeiro uma coisa, depois a outra, em vinte ocasiões diferentes, calculo eu. Nas ocasiões de alegria eu poderia ter dito como São Paulo: “Nada me separará do amor de Cristo”. E na dor poderia ter dito: “Senhor, salva-me. Estou perecendo!”.

Essa visão foi-me concedida a fim de ensinar-me que para algumas almas é proveitoso provar essas alterações de estado de espírito — às vezes para receber conforto ou para minguarmos, ficando à mercê de nós mesmos. Deus quer que saibamos que ele sempre nos guarda igualmente a salvo, quer no mal-estar quer no bem-estar.

Juliana de Norwich
In: A biblioteca de C. S. Lewis

Melhor que o RR Soares


A dica me foi passada pelo Iverson, por email.

O desespero dos chamados

Aqueles que o Espírito chama efetivamente, Ele faz com que se desesperem de si mesmos. Eles são levados a compreender que não há poder neles mesmos, a não ser fora dos caminhos do pecado e da miséria nos quais estão mergulhados. E como são incapazes de se ajudarem, então eles compreendem que são totalmente indignos de serem ajudados. Deus pode justamente permitir que permaneçam onde caíram e, não fosse a Sua intervenção, cairiam cada vez mais até não poderem mais ser recuperados. O pecador pode valer-se de suas boas obras, esperando com isso reconciliar-se com Deus por causa daquilo que ele tem feito de errado, entretanto é levado a ver que suas melhores obras estão tão misturadas com o pecado que, não fosse a justiça e a intercessão de Cristo, estas seriam verdadeiras abomina­ções. Agora ele está abatido no seu interior. Ele não tem confiança na carne (Fil. 3:3). Ele não pode fazer nada por si mesmo. Não pode alegar que tenha direitos a ter algo feito em seu favor, mas ele deve esperar a graça de Deus para tudo.

N. Vincent

Pela verdade, mas com mentira

Alguns devem pensar que se contarmos uma mentira em favor de Deus, ela torna-se tão boa como uma verdade. E até mais, se a verdade em questão colocar Deus em alguma dificuldade. Lembro-me de alguns testemunhos em que há um claro exagero dos fatos, para Deus parecer mais poderoso do que Ele tem se mostrado.


Com o advento da Internet, alguns hoax santos ganharam força. Já ouvi de alguém que viu na net que uma criança nasceu com as palmas das mãos coladas e quando os médicos finalmente conseguiram separar as mãos do bebê estava escrito "Jesus está voltando!". Num outro caso, alguém tirou uma foto de 1Ts 2 e na hora de revelar surgiu uma foto do arrebatamento (veja ao lado). Vi os borrões interpretados como sendo crentes subindo. Enfim, não faltam exemplos de mentiras santas que arrancam glórias e aleluias de pessoas que dormiriam no estudo bíblico, se fossem num.

Um email, cuja autoria não me preocupei em olhar, como todo hoax que se preze, vem com o pedido "Divulguem para o maior número de pessoas que conhecerem, pois não podemos baixar a cabeça diante de tão grande repressão a liberdade religiosa. Se não fizermos nada, certamente o mal vencerá. Como disse o filósofo: "O mal prevalesse quando os bons se omitem".

A mensagem, em caixa alta, relaciona "Leis que tramitam em Brasília contrárias às igrejas, principalmente as evangélicas", pede oração e intercessão e grita "Repassem para o mundo". Essas leis que tramitam (na verdade leis não tramitam, projetos de lei tramitam até se tornar lei ou ser arquivados) são, conforme o email:

Cânones de Dort - Domingo 6

Decreto Eterno de Deus

O fato de que alguns recebem de Deus o dom da fé durante a vida, e que outros não, se origina de seu decreto eterno. Porque todas as suas obras são conhecidas por Deus desde a eternidade (At 15:18; Ef 1:11). De acordo com este decreto ele graciosamente amolece os corações outrora duros de seus escolhidos e os inclina a crer, mas por seu justo julgamento deixa em suas maldades e dureza de coração aqueles que não foram escolhidos. E nisto especialmente nos é manifesto este ato — insondável, e tão misericordioso quanto justo — de distinguir entre pessoas igualmente perdidas. Este é o bem conhecido decreto de eleição e reprovação revelado na Palavra de Deus. Este decreto os maldosos, impuros, e instáveis distorcem para sua própria perdição, mas, ele supre as almas santas e pias com um consolo inexprimível.

E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna. At 13:48

Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; 1Pe 2:8

Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade; Ef 1:11

Leia o primeiro artigo da série: 1. O direito de Deus de condenar todas as pessoas
Leia o artigo anterior: 5. As fontes da incredulidade e da fé 

A oração que falta


Um dos mais deprimentes sinais na igreja de hoje é a falta de oração tanto a sós como em grupos. É quase incrível ver quão pouco a igreja evangélica em geral se apóia na oração para fazer a obra de Deus. Quando há uma reunião de oração, só um pequeno número participa. Noites de oração, reuniões de oração nos lares, dias de oração e jejum— uma parte tão impor¬tante da Igreja primitiva — parecem não ser mais que relíquias cristãs, hoje em dia. Porque estão ocupadas, as pessoas convencem-se de que estão demasiado ocupadas para orar. A Igreja tem procurado inúmeros substitutos para a oração a fim de levar a cabo o trabalho que só pode ser feito através da oração. Se levarmos a sério o fato de sermos revolucioná¬rios espirituais, temos de decidir aprender a orar! Há muitos livros excelentes sobre o assunto, mas não há nada que substitua o ajoelharmo-nos e começarmos a orar. Samuel Chadwick disse: "A única preocupação do diabo é afastar os santos da oração. Ele nada receia de estudos sem oração, de trabalho sem oração, de religião sem oração. Ri-se do nosso labor, troça da nossa sabedoria, mas treme quando oramos."

George Verwer
In: Vida abundante

Responda com doçura e respeito



Há outros, porém, que nunca ouviram nada de semelhante e que estariam totalmente dispostos a aprender, contanto que lhes fosse explicado, ou que tem o espírito tão fraco que não podem captar a doutrina com facilidade. Não se deve nem repreendê-los nem tratá-los rudemente, pelo contrário deve-se instruí-los com amizade e doçura, indicando-lhes causas e razões. Se não conseguirem captar com facilidade, mostrar-se paciente com eles por certo tempo. A esse respeito, Paulo diz (Romanos 15.1 e 14.1): “Acolham com bondade aquele que é fraco na fé”. De igual modo, Pedro (I Pedro 3.15-16): “Estejam sempre prontos a responder a todos aqueles que lhes pedem razões de sua esperança; mas façam isso com doçura e respeito”.

Martinho Lutero
In: Othodoxia

Os maus resultados das campanhas


E quanto ao resultado das campanhas; desculpe-me quem discorda, mas não vejo saldo expressivo para o Reino. Primeiro porque as pessoas vivem em busca das “bênçãos” supracitadas; atividades estas que não habilitam ninguém ao Reino de Deus. Segundo que as tais campanhas criam pessoas peritas no que Deus faz, mas indoutas em quem Deus é; devido às distorções e pobreza da teologia apresentada. E o terceiro mal é que se tem uma geração de viciados em campanhas, de maneira que, não é difícil vê a migração de fiéis para outras denominações por faltar campanha em sua igreja, ou por considerar a mesma desinteressante. O que tem feito muitos líderes repetir a mesma campanha do colega, gerando assim uma proposta única e lamentável de Igreja. Enfim, penso que as campanhas são intermináveis porque intermináveis são os desejos deles por platéias e contribuições.

Gilaelson Santos
In: Dokimos


Expiação e fé: mal-entendidos

A interpretação universalista da redenção a partir de algumas passagens da Bíblia, como 1Jo 2:2, quando levada a sério, cria graves problemas para seus proponentes. Se tomarmos as palavras relacionadas à obra de Cristo na cruz (satisfação, propiciação, redenção, resgate, etc.) no sentido que o Novo Testamento lhe conferem e insistirmos que Jesus morreu vicariamente por todos os homens, o universalismo é a conclusão inescapável.

Para evitar disparar a armadilha em que pisaram, os que defendem a expiação universal dizem que ela não é eficaz em si mesma, mas algo potencial. Assim, a cruz não obtém a salvação de fato, apenas a torna possível. O que tranforma essa possibilidade em uma salvação real é a fé. Pelo ato de crer, o homem libera a energia potencial do Calvário. Em última análise, o fator determinante da salvação está no homem, e não em Deus. Esta forma de relacionar expiação e fé é equivocada.


O sofrimento de ímpios e crentes


É verdade que tanto os bons quantos os maus participam das misérias e dificuldades desta vida; porém, para os ímpios, os sofrimentos são sinais da maldição divina, porquanto resultam do pecado; sua única mensagem é a ira de Deus e nossa comum participação na condenação de Adão; e seu único resultado é o abatimento da alma. No entanto, por meio de seus sofrimentos os crentes estão sendo conformados a Cristo e produzem em seus corpos o morrer de Cristo, para que a vida dele um dia se manifeste neles [2Co 4.10]. Estou falando das aflições que eles suportam em virtude do testemunho de Cristo [Ap 1.9], porque, ainda que as disciplinas que o Senhor lhes impõe, em virtude de seus pecados, lhes sejam benéficas, eles não podem, com justiça, dizer que participam dos sofrimentos de Cristo, a menos que sofram por sua causa, como lemos em 1 Pedro 4.13. Portanto, o que Paulo quer dizer é que Deus está sempre presente com ele em suas tribulações e que, em suas fraquezas, é sustentado pelas consolações de Cristo, de modo a ser impedido de se ver esmagado pelas calamidades.

João Calvino
In: Comentário sobre 2Co 1:5

Soberania e humanismo



A soberania de Deus transtorna a mente daqueles que são influenciados pelo humanismo vigente em nossa sociedade. A razão do incômodo que esta doutrina trará é por causa da falta de conhecimento de quem o verdadeiro Deus é e faz. Muitos leitores há que adoram um outro Deus, não o Deus e Pai de Jesus Cristo. Este Deus é soberano e faz com que todos os seus planos sejam cumpridos inquestionavelmente, e esta crença traz dissabores em alguns círculos sinergistas muito populosos em alguns lugares. Essas pessoas se esquecem de que todos nós somos o barro e que Deus é o oleiro. Afinal de contas, ele nos fez do barro e para o pó retornaremos. A Escritura diz que somos barro, que não passamos de cacos de barro e isso nos humilha. Os seres humanos não são nada diante de Deus, o que vai de encontro ao pensamento deles que se têm a si mesmos em alta conta. Mas a Bíblia destrói as pretensões deles.

Heber Carlos de Campos
In: A providência e sua realização histórica

Deus indescritível


A Academia Real de Paris ofereceu um prêmio ao homem que escrevesse os melhores versos sobre a natureza divina. Muitos escreveram longamente sobre esse difícil assunto; mas o professor Crousaz enviou apenas duas frases:

"Deixe de esperar do homem uma descrição apropriada do Ser Supremo; ninguém pode falar apropriadamente dEle a não ser Ele mesmo".

Os judiciosos acadêmicos concordaram em coroar esse curto desempenho, porque ele deu a mais exaltada idéia dEle, cuja brilhante glória clama por nossa adoração silenciosa e proíbe as longas e curiosas dissertações do nosso orgulho filosófico. Assim como não podemos pegar o universo com nossas mãos, também não podemos compreender o Criador do universo com nossos pensamentos.

John Fletcher
In: The works of John Fletcher