Os blogs e a apologética

O que segue é uma revisão do que comentei na série de artigos intitulada "Refletindo sobre um blog cristão". e publicada pela Nani. Acrescento pouca coisa, reviso alguma e publico para análise, complementação e correção dos leitores deste blog.

Apologética é basicamente uma marca de todos os blogs. Em maior ou menor grau, defendemos alguma coisa. Mas alguns são assumidamente apologéticos, e eu tenho uma crítica ao modo de fazer apologia em geral, que acaba sendo refletida nos blogs: se ataca mais os erros que se expõe a verdade. Se diz que tal caminho é errado, que não se deve andar por ele, mas pouco se aponta o caminho correto. Creio que trabalhar desta forma é deixar a obra inacabada. Apologética é, primariamente defesa da verdade, embora para esse fim seja necessário atacar a mentira.

Se você treinar pessoas em reconhecer as notas verdadeiras, e avisá-la que existem as falsas, elas identificarão uma assim que a virem. Se a sã doutrina for pregada, a heresia fica descoberta. Porém, falamos mais contra profetadas do que explicamos o dom de profecia. Um outro aspecto ruim na apologética se dirige a um único alvo, demonstra interesse maior em combater algo ou alguém e não expor a verdade. Não é raro encontrarmos sites e blogs que expõe as heresias de movimentos sectários mas não contém nenhuma declaração de fé.

Outra coisa difícil é saber dosar é o humor. Os blogs mais visitados da blogsfera são os de humor. No meio evangélico também. Por isso, a tentação é grande de se fazer "humortadelas" evangélicas. Alguns conseguem o equilíbrio, usam o "humor apologético" com competência, porém muitos conseguem apenas ser engraçados. Além de errar na dose, às vezes erramos no tipo, fazendo caricaturas daquilo que é combatido . Aqui no Cinco Solas tenho intenção de ser mais bem humorado, fugir da pecha de calvinista carrancudo, até tenho um marcador "Humor". Mas acho que é o menos utilizado, pois algumas tentativas que fiz pareceram mais ridicularização que arte de fazer rir. Ou seja, embora goste, não me saio bem com anedotas.

Minha crítica não é contra a denúncias em si, que havendo motivos quanto mais tiver e mais veemente for, melhor. Também não é tanto ao uso do humor como estilo. Mas à falta de uma direção àqueles que avisados do erro perguntam, "então, para onde iremos". E sinto que isto falta à apologética evangélica brasileira em geral e não é remediada pelos blogs apologéticos em particular.

Creio que devemos mostrar a verdade, conforme encontrada na Bíblia e expressa nos documentos da igreja antes de apontarmos a mentira. Do contrário, parece que estamos esperando que outros enganem, ou sejam enganados, para então apontarmos o erro, além do que falhamos em mostrar o caminho de volta para a sã doutrina.

Soli Deo Gloria

Cristo é o centro governante do universo

A intenção no coração de Deus ao ter trazido este universo à existência era que, ao final, toda a criação pudesse apresentar a glória e a supremacia de Seu Filho, Jesus Cristo. E este específico pequeno fragmento “e nele tudo subsiste” diz muito claramente que, se não fosse o Senhor Jesus Cristo, o universo inteiro se desintegraria, desmembrar-se-ia; ele estaria sem seu fator unificador; ele cessaria de ter uma razão para ser mantido como uma completa e concreta unidade. Seu subsistir, sua falha em se desintegrar e acabar é por causa disto: Deus tem determinado que o Senhor Jesus será o centro – o centro governante – deste universo inteiro, e Ele, o Filho de Deus, é a explicação da criação. Se não fosse por Ele, nunca teria havido uma criação. Tire-o fora e a criação perde seu propósito e seu objeto, e não precisa mais ir adiante. “Cristo é tudo, e em todos” era o pensamento – o pensamento dominante – na mente de Deus durante a criação do universo.

Theodore Austin Sparks
In: Cristo, tudo em todos

De pecadores mortos a santos ressuscitados


Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus (Ef 2:8)

INTRODUÇÃO

Na primeira mensagem dessa série, lemos que Paulo escreveu a santos e fiéis em Cristo. Santos significa separados para Deus e fiéis quer dizer crentes em Jesus. Porém, a Bíblia diz que "todos pecaram e separados estão da glória de Deus" (Rm 3:23). Diz também que "o salário do pecado é a morte" (Rm 6:23). Como então pecadores mortos passam a ser santos vivos? É esse processo que Paulo explica na passagem que iremos meditar nesta noite.

Na primeira parte do capítulo primeiro, Paulo fala do planejamento da nossa salvação pelo Pai, do provimento dos meios para nossa salvação pelo Filho e da execução dessa salvação pelo Espírito Santo. Agora Paulo se detém a explicar o que aconteceu na prática com cada pessoa que experimentou a salvação de Deus, de como elas passaram de defuntos espirituais  a novas criaturas em Cristo.

Você precisa apreciar, valorizar o que recebeu de Cristo. Mas para isso, precisa considerar tr~es coisas: que você estava morto e separado de Deus, que você foi vivificado em Cristo e que tudo isso foi feito exclusivamente pelo Espírito Santo.

I ESTANDO VÓS MORTOS EM OFENSAS E PECADOS, 2:1

Tudo começou com nosso primeiro pai, Adão. Ele recebeu uma ordem de Deus, não poderia comer do fruto da árvore no meio do jardim. Deus havia sido bem claro: "De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn 2:16-17). Desde Adão, todos os homens nascem mortos espiritualmente, pois "como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram" (Rm 5:12).

Paulo apresenta as provas dessa morte espiritual, ao dizer que

1. Andávamos "segundo o curso deste mundo", 2:2a

Os padrões do mundo são opostos à Lei de Deus. Existe uma incompatibilidade, que a Bíblia chama de inimizade entre o mundo e Deus, a ponto de que se alguém quer ser amigo do mundo, torna-se inimigo de Deus. E de fato, a forma como andávamos anteriormente fazia de nós inimigos de Deus (Rm 5:10)

2. Andávamos "segundo o príncipe das potestades do ar", 2:2b

Como "todo o mundo está no maligno" (1Jo 5:19), andar segundo os rudimentos do mundo é, em última análise, fazer a vontade do Diabo. Mesmo sem saber, quem está no mundo faz a vontade do Diabo e não a vontade de Deus. Pois quem opera neles não é o Espírito santo, mas "espírito que agora opera nos filhos da desobediência" (2:2).

3. Andávamos "nos desejos da nossa carne", 2:3

Além de nos conformar com o mundo separado de Deus, de agir sob influência do Diabo, também nos entregávamos à concupiscência de nossa carne, "fazendo a vontade da carne e dos pensamentos" (2:3). Quando Adão pecou, ele arruinou a nossa natureza, que ficou corrompida pelo pecado. Passamos a ter uma vontade contrária á vontade de Deus, de modo que até mesmo nossos pensamentos tornaram-se pecaminosos.

Era assim que andávamos, como amantes do mundo e inimigos de Deus, dominados pelo espírito maligno e não pelo Espírito Santo e servos de nossa vontade caída e não da vontade santa de Deus. Isso fazia de nós "filhos da desobediência" e "filhos da ira". Por nossa desobediência estávamos destinados à ira, se Deus não fizesse algo por nós. Mas Ele fez!

II NOS VIVIFICOU JUNTAMENTE COM CRISTO, 2:5

1. Motivado "pelo seu muito amor com que nos amou", 2:4

Paulo se refere a Deus como "riquíssimo em misericórdia" (2:4). Não fosse Seu grande amor para com pecadores irremediáveis, nós permaneceríamos mortos até finalmente experimentarmos a segunda morte, a condenação e tormento eterno. Mas movido por grande amor, foi misericordioso e nos deu vida com Cristo, livrando-nos das algemas da morte.

2. Ele "nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus", 2:6

Mais que apenas nos vivificar, o Senhor nos exaltou às regiões celestiais, em Cristo. Como a igreja é o Corpo de Cristo, que está assentado nos céus, desde agora ela está assentada nos lugares celestiais na pessoa de Jesus. De defuntos espirituais jogados nas profundezas da terra e separados de Deus, fomos transportados para as alturas celestiais, na presença de Deus!

3. Para mostrar as "as abundantes riquezas da sua graça", 2:7

Para que Deus fez tudo isso? Paulo nos diz que foi para mostrar "nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus". Deus é glorificado por Sua justiça quando aplica a justa condenação àqueles que rejeitam seu Filho Jesus Cristo. Mas muito mais Ele é glorificado ao exibir, por toda a eternidade, a riqueza de sua graça com pecadores redimidos e ressuscitados com Seu Filho!

III ISTO NÃO VEM DE VÓS, É DOM DE DEUS, 2:8

Agora precisamos abordar um ponto fundamental e que muitas vezes é ignorado. Tranformar pecadores mortos em pessoas nascidas de novo é uma obra exclusiva de Deus. Um morto não pode fazer nada por si mesmo. Somente depois de ser vivificado é que alguém pode esboçar qualquer reação. Paulo faz questão de deixar isso claro na passagem que estamos analisando.

1. "Estando nós ainda mortos em nossas ofensas", 2:5

Nunca é demais relembrar este ponto: nós ainda estávamos mortos quando fomos renovados em nossa vontade, mente e coração. Um morto não tem fé, então precisar viver antes de crer. Um morto não se arrepende, então precisa viver antes de confessar seus pecados. Por isso, os que nasceram de novo "não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (Jo 1:13). Deus usa de misericórdia e vem até nós quando estamos mortos e incapazes de fazer qualquer coisa para cooperar com Sua obra em nós.

2. "Não vem das obras, para que ninguém se glorie", 2:9

A nossa ressurreição com Cristo não vem de algo que possamos fazer. Obras são coisas que o homem faz. E não há nada que o homem possa fazer para ajudar na sua salvação. Se o homem operasse ou cooperasse com sua salvação, teria motivos para se orgulhar disso. O glória não seria toda de Deus, que pelo menos uma parte teria que dividir com o homem. Mas a Bíblia é taxativa: a salvação não vem de obras humanas, logo não há motivo para ele se gloriar.

3. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé", 2:8

A salvação é uma obra divina, do começo ao fim. Paulo diz que somos salvos pela graça. O fundamento de nossa salvação é a graça de Deus, é porque Deus quis nos salvar, mesmo sem mérito algum, que somos salvos. Tudo o que é necessário para nossa salvação é provido por Deus, até mesmo a fé. A fé é necessária para a salvação, pois somente quem crê é salvo por Deus. Mas é Deus quem nos capacita a crer, em outras palavras, a fé também é um dom de Deus!

CONCLUSÃO

Um erro comum é pensar que como a salvação é pela graça somente e não pelas obras, não precisamos viver uma vida de santidade ou fazer o bem. O ensino de Paulo é bastante claro. Embora o novo nascimento não dependa de boas obras, estas tem o seu lugar na vida daqueles que nasceram de novo. Primeiro, que "fomos criados para boas obras" (2:10). Não realizamos boas obras para sermos salvos, mas somos salvos para realizá-las. As boas obras não são a causa, mas a consequência da salvação. Em segundo lugar, as boas obras "Deus preparou para que andássemos nela" (2:10). Isto significa que mesmo quando realizamos boas obras, e devemos realizá-las, não devemos nos orgulhar disso, "porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2:13).

Soli Deo Gloria

Cânones de Dort - Domingo 13

Ensinando Adequadamente a Eleição


Exatamente como, pelo sábio plano de Deus, esta doutrina concernente à divina eleição foi proclamada através dos profetas, pelo próprio Cristo, e pelos apóstolos, nos tempos do Velho e do Novo Testamento, assim também deve ser proclamada hoje na igreja de Deus. Pois, como foi especificamente planejada, esta doutrina deve ser assim proclamada — com um espírito de discrição, de modo reverente e santo, no tempo e lugar apropriado, sem uma busca inquisitiva nos caminhos do Altíssimo. Isto deve ser feito para a glória do santíssimo nome de Deus, e para o vivificante consolo do seu povo.

Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus. At 20:27

Quem lhe prescreveu o seu caminho? Ou, quem lhe dirá: Tu cometeste maldade? Lembra-te de engrandecer a sua obra, que os homens contemplam. Todos os homens a vêem, e o homem a enxerga de longe. Eis que Deus é grande, e nós não o compreendemos, e o número dos seus anos não se pode esquadrinhar. Jó 36:23-26

O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Rm 11:33

Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um. Rm 12:3

E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro. 1Co 4:6

Nada está fora do alcance da oração

Ao orar por seus inimigos, Cristo não somente colocou diante de nós um exemplo perfeito de como devemos tratar aqueles que nos prejudicam e nos odeiam, mas ele também nos ensinou a nunca considerar algo como além do alcance da oração. Se Cristo orou por seus assassinos, então certamente temos encorajamento para orar agora pelo maior de todos os pecadores! Leitor cristão, nunca perca a esperança. Parece para você um desperdício de tempo continuar orando por aquele homem, por aquela mulher, por aquele seu filho obstinado? O caso deles parece se tornar mais sem esperança a cada dia? Parece como se eles estivem além do alcance da misericórdia divina? Talvez alguém por quem você tem orado por tanto tempo foi enlaçado por uma das seitas satânicas de hoje, ou ele pode ser agora um infiel declarado e desbragado; em resumo, um inimigo aberto de Cristo. Lembre-se então da cruz. Cristo orou por seus inimigos. Aprenda então a não olhar para nada como estando além do alcance da oração.

A. W. Pink
In: Sete brados do Salvador na cruz

Pastores voadores

Desafiando a crise, líderes evangélicos brasileiros investem na compra de aviões particulares.

Dizem que um homem pode ser medido pela grandiosidade dos seus sonhos. Se é mesmo assim, um seleto grupo de ministros do Evangelho anda sonhando alto – literalmente.


Pregação e oração

Que Deus tenha feito uso de mim é nada comparado à sua misericórdia em relação a mim. Quanto a mim mesmo não ouso vangloriar-me. Sempre me senti fraco e insignificante. Não possuía dons especiais nem santidade, não passando de um mineiro de carvão sem cultura. Que Deus pudesse usar-me hoje como tal, nada prova senão a verdade de que temos tesouros em vasos de barro, para que a excelência do poder possa ser de Deus e não nossa. Estou plenamente convencido que se alguém quiser ser usado pelo Senhor, basta que passe tempo em oração e em estudo bíblico; e a suo experiência poderia perfeitamente ultrapassar a minha. Nos últimos 46 anos, apesar de não possuir um registro minucioso de minha pregação, a média não deve ter sido menor do que 450 vezes por ano. Todavia, permitiam-me dizer com toda honestidade, as vezes que me ajoelhei diante de Deus em oração excederam de muito aquelas em que preguei de pé diante dos homens. Quero recomendar aos leitores que orem muito e estudem muito a Bíblia, jamais se apoiando em seus próprios talentos e dons, pois os que têm o dom de falar podem não possuir o poder do Espírito Santo. Algumas vezes esses dons se Tornam um impedimento e um laço na pregação, pois eles tornam a pessoa orgulhosa e independente de Deus. O homem que não ora não tem poder. Devemos, pois aprender e apoiar-nos absolutamente em Deus, obedecendo a Ele, e vivendo diante dEle. Desta maneira pode-remos dar frutos para Deus e nossa vida não terá sido inútil. Jamais permita que qualquer coisa ou alguém se coloque entre você e Deus. Você deve, ter um coração integro, sincero e fiel para com o Senhor Jesus Cristo, pois Ele merece que lhe dediquemos todo o nosso serviço.

James M'Kendrick
In: Seen and Heard

Um avivamento genuíno


Regozijo-me com quaisquer evidências de vida espiritual, ainda que sejam entusiásticas e temporárias, e não sou precipitado em condenar qualquer movimento bem-intencionado. Contudo, tenho bastante receio de que muitos dos chamados avivamentos, em última análise, causaram mais danos do que benefícios.Uma espécie de loteria religiosa tem fascinado muitos homens, trazendo-lhes repúdio pelo bom senso da verdadeira piedade.

Não desejo menosprezar o ouro genuíno, ao desmascarar as falsificações. Longe disso. Acima de tudo, desejamos que o Senhor envie-nos um verdadeiro e duradouro avivamento espiritual.Precisamos de uma obra sobrenatural da parte do Espírito Santo, trazendo poder à pregação da Palavra, motivando com vigor celestial todos os crentes, afetando solenemente os corações dos indolentes, para que se convertam a Deus e vivam. Se este avivamento acontecesse, não seríamos embriagados pelo vinho do entusiasmo carnal, mas cheios do Espírito. Contemplaríamos o fogo dos céus manifestando-se em resposta às fervorosas orações de homens piedosos.

Não podemos rogar que o Senhor,nosso Deus, revele seu poderoso braço aos olhos de todos os homens nestes dias de declínio e vaidade?

Charles Spurgeon
In: O avivamento que precisamos

Combater o erro não é facultativo


Todo falso ensinamento deve ser odiado e combatido. O Novo Testamento nos diz que assim fez nosso Senhor e todos os apóstolos, e que eles se opuseram e advertiram as pessoas contra isso. Mas pergunto novamente: isto é realizado hoje? Qual sua atitude pessoal quanto a isso? Acaso é você uma daquelas pessoas que diz que não há necessidade dessas negativas, e que deveríamos estar contentes com uma apresentação positiva da verdade? Subscrevemos o ensinamento prevalecente que discorda de advertências e críticas ao falso ensinamento? Você concorda com aqueles que dizem que um espírito de amor é incompatível com a denúncia crítica e negativa dos erros gritantes, e que temos de ser sempre positivos? A resposta mais simples a tal atitude é que o Senhor Jesus Cristo denunciou o mal e os falsos mestres. Repito que Ele os denunciou como “lobos vorazes” e como “sepulcros caiados” e como “guias cegos”. O apóstolo Paulo disse de alguns deles: “… cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles”. (Fp 3:19). Esta é a linguagem das Escrituras.

Martin Lloyd-Jones
In: Jornal “Os Puritanos” Ano III Nº 3

O poder de Deus para salvação


"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego" Rm 1:16

Hoje em dia é comum a expressão "deixei de ser evangélico". Levando-se em conta os escândalos em que se envolvem políticos evangélicos, a exploração religiosa de muito tele-evangelistas e do mau testemunho de pessoas que se dizem evangélicas, a reação é compreensível. Porém, considerando que o termo evangélico tem sua origem na palavra evangelho, o repúdio me soa como contrário à Paulo dizendo "não me envergonho do evangelho". E, parece-me que tentar "descolar" nossa pessoa daqueles que envergonham o evangelho, não é bem o exemplo bíblico a ser seguido, mas isto é uma outra questão, para uma outra hora. Interessa-nos, de momento, meditar na passagem acima.


Cânones de Dort - Domingo 12

O Fruto Desta Garantia


Por sua consciência e segurança desta eleição diariamente os filhos de Deus encontram enorme razão para se humilharem diante de Deus, para adorar a insondável profundidade de suas misericórdias, para se purificarem, e para retornarem fervoroso amor a ele que primeiro tão grandemente os amou. Isto está longe de dizer que esta doutrina concernente à eleição, e que a reflexão sobre ela, faça os filhos de Deus [se tornarem] negligentes em observar seus mandamentos ou carnalmente autoconfiantes. Pelo justo julgamento de Deus isto usualmente acontece àqueles que levianamente têm por concedida a graça da eleição e engajam-se em inútil e impudente discussão sobre ela, mas que relutam em andar no caminho dos escolhidos.

E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro. 1 Jo 3:3

Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro. 1 Jo 4:19

O poder do testemunho pessoal


Mais ou menos cem anos atrás havia um crente na Inglaterra de nome Harvey Page. Seus olhos foram abertos pela especial graça do Senhor para ver que, embora ele fosse uma pessoa muito simples não tendo nenhum dom manifesto e incapaz de fazer muitas coisas ele podia contudo tratar com a pessoas uma por uma. Embora muitos cristãos tenham sido abençoa dos fazendo grandes obras, não era o seu caso. Mas ele podia concentrar sua atenção em uma pessoa e acompanhar tenazmente essa pessoa. Dizia então ao amigo escolhido que desde que ele, Harvey Page, estava salvo, o seu amigo poderia ser salvo também. Passava a orar e falar com o amigo até que este fosse realmente salvo. Na época em que harvey Page partia deste mundo, ele havia dessa forma levado mais de uma centena de. pessoas para o Senhor.

Watchman Nee
In: Testemunho cristão normal

A tese arminiana e a calvinista sobre perseverança dos santos

A insistente tese do Arminianismo é de que o ser humano ainda é capaz de exercer livremente uma capacidade que, de forma auto-determinante, define o seu destino. Esta capacidade é chamada “livre arbítrio”. Segundo os Arminianos, pelo simples exercício do seu livre arbítrio, o ser humano determina o seu estado espiritual. Determina rejeitar e frustrar, ou aceitar o soberano propósito de Deus. Deus depende do livre arbítrio humano para poder agir. Logo, quando este pressuposto é aplicado à doutrina da Perseverança dos Santos, percebemos que os Arminianos são levados, por coerência, a negar a permanência na graça. Pois, se o ser humano é capaz, de modo auto-determinante, de resistir ou permitir-se ser influenciado pela graça, também pode ser capaz de mesmo depois de tê-la recebido, novamente desprezá-la, e assim decair da graça, e perder total e finalmente a sua salvação.
 
O pressuposto orientador do Calvinismo é que Deus é absolutamente soberano. Aplicando este princípio a doutrina da Perseverança dos Santos, entendemos que eles permanecem em estado de graça, porque Deus os preserva. Deus preserva imutável o seu eterno propósito (Rm 8:28), iniciando na predestinação e findando na glorificação (Rm 8:30). Pois “aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp 1:6).

 

O pecado de Jonathan Edwards


Muitas vezes me pareceu que, se Deus permitisse que a iniqüidade ficasse marcada em mim, eu pareceria ser o pior dos seres humanos, de todos os que existiram desde a criação do mundo até hoje, e que eu teria, de longe, o lugar mais baixo no inferno. Minha malignidade, como eu sou por mim mesmo, há muito tempo me parece totalmente indescritível, consumindo todo pensamento e imaginação como um dilúvio infinito ou uma montanha sobre minha cabeça. Não sei como expressar melhor o que meus pecados significavam para mim do que acumulando infinitos sobre infinitos e multiplicando infinito por infinitos.

Jonathan Edwards
Apud: Russel Shedd, in Avivamento & renovação, Shedd Publicações

Pregue a Palavra toda

Tente não jogar fora nada do livro perfeito. O que você encontra nele permita que ali fique, e o faça seu para pregar conforme a analogia e o tamanho da fé. Aquilo que é digno de ser revelado por Deus é digno de nossa pregação - isso é o mínimo que posso dizer a respeito. "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Mt 4.4; Dt 8.3). "Cada palavra de Deus é comprovadamente pura; ele é um escudo para quem nele se refugia" (Pv 30.5). Permita que cada verdade revelada seja apresentada a seu tempo. Não procure assunto em qualquer outro lugar, pois com tal infinitude de temas diante de você não há necessidade de assim fazer; com tão gloriosa verdade para pregar seria uma audaciosa crueldade fazer isso.

Charles Spurgeon
Recebido por email

Deus se revela


“Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis” Rm 1:19-20

Introdução

Deus colocou a eternidade no coração do homem. A idéia de Deus é um fato inescapável a todos, mesmo aqueles que negam sua existência pensam em Deus para poderem negá-lo. Isto acontece porque é impossível ao homem fugir da revelação de Deus que, num certo sentido, é universal.

Cânones de Dort - Domingo 11

Eleição Imutável

Exatamente como o próprio Deus é sumamente sábio, imutável, onisciente, e Todo-Poderoso, deste modo a eleição feita por ele não pode ser nem suspensa, nem alterada, revogada, ou anulada; nem seus escolhidos podem ser lançados fora, ou seu número ser reduzido.

Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Jo 6:37

E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Jo 10:28

A Garantia da Eleição

A garantia dessa sua eterna e imutável eleição para salvação é dada aos escolhidos no tempo devido, ainda que em vários estágios e em diferentes medidas. Tal garantia não vem através de uma busca inquisitiva nas coisas ocultas e profundas de Deus, mas observando dentro deles mesmos, com alegria espiritual e santo deleite, os inconfundíveis frutos da eleição assinalados na Palavra de Deus — tais como: verdadeira fé em Cristo, temor filial de Deus, santo arrependimento por seus pecados, fome e sede de justiça, e assim por diante.

As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei. Dt 29:29

Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. 1Co 2:10-11

Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados. 2Co 13:5

Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte. 2Co 7:10

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos. Mt 5:6

Escatologia: consenso e variações

A preocupação com a escatologia tem tomado formas diferentes em grupos diferentes. Nos círculos cristãos conservadores, relacionase com a ordem dos acontecimentos concernentes à Segunda Vinda de Cristo. Os conservadores chegaram a um consenso nos pontos principais da escatologia por volta do início do século XX. Todos os seres humanos (exceto os que ainda estiverem vivos na volta do Senhor) devem passar pela morte física e, nesse momento, passam para um estado intermediário apropriado à sua condição espiritual.

Os que se entregaram à obra salvadora de Jesus Cristo irão para um lugar de bem-aventurança e galardão; mas os que não se entregaram irão para um lugar de castigo e tormento. Em algum tempo futuro, Cristo voltará de modo corpóreo. Então todos os mortos serão ressuscitados e entregues ao seu destino final — o céu ou o inferno. Lá permanecerão eternamente numa condição inalterável.

No entanto, nesse esquema geral, tem havido considerável variação. Primeiro, em relação à questão de haver um milênio (um reino de Jesus Cristo na terra por mil anos), e segundo em relação à posição dos que dizem “sim”, quanto à volta de Cristo acontecer no começo ou no fim do milênio. Entre os que sustentam que essa volta antecederá o milênio, alguns acreditam que a igreja passará por um período de intensa angústia chamado de “grande tribulação”; outros acreditam que a igreja será retirada do mundo ou “arrebatada” antes da tribulação. Nos anos recentes tem havido muito debate em torno dessas questões. Quer concordemos ou não com a relevância dessas questões devemos examiná-las, pois aqueles que as discutem as consideram importantes.

Millard J. Erikson

A fé é um dom de Deus?

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Ef 2:8

Uma afirmação que incomoda alguns arminianos é a de que a fé é um dom de Deus. Pois sendo a fé um dom de Deus, torna sem sentido o argumento da eleição pela fé prevista: Deus escolheria para a salvação aqueles a quem decidiu dar a fé, o que o tornaria igualmente parcial ao não dar a fé a todos. Por isso, são forçados a afirmar que a fé não é um dom de Deus, e para demonstrar isso recorrem a Efésios 2:8.


Wayne Grudem e Apocalipse 3:5

Em Apocalipse 3.5, diz Jesus: “O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida”. Alguns sustentam que, dizendo isso, Jesus sugere que é possível que ele venha a apagar os nomes de algumas pessoas do Livro da Vida, pessoas que já tinham seus nomes escritos ali e que portanto já estavam salvas. Mas o fato de Jesus afirmar enfaticamente que não fará algo não pode ser usado para pregar que fará a mesma coisa nos outros casos! O mesmo tipo de construção grega é usada para exprimir uma negação enfática em João 10.28, onde Jesus diz: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão”. Isso não significa que algumas das ovelhas de Jesus não ouvem a sua voz nem o seguem, e por isso perecerão; afirma simplesmente que as suas ovelhas com certeza não perecerão. Do mesmo modo, quando Deus diz – “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5) – não sugere que deixará ou abandonará outras pessoas; apenas declara enfaticamente que não deixará nem abandonará o seu povo. Ou, numa analogia ainda mais próxima, de Mateus 12.32, Jesus diz: “Se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir”. Isso não significa que alguns pecados serão perdoados no porvir (como alegam os católicos romanos para sustentar a doutrina do purgatório) – isso não passa de um erro de raciocínio: dizer que algo não irá acontecer no porvir não implica que pode acontecer no porvir! Do mesmo modo, Apocalipse 3.5 é apenas uma firme garantia de que aqueles que estiverem trajando vestes brancas e que permanecerem fieis a Cristo não terão os seus nomes apagados do Livro da Vida.

Wayne Grudem
In: Teologia Sistemática

O livre-arbítrio não tem utilidade


Torna-se claro, em João 14.6, onde se lê que Jesus Cristo é o "caminho, e a verdade, e a vida", que a salvação só pode ser encontrada em sua pessoa. Sendo essa a verdade, tudo quanto está fora de Cristo só pode ser trevas, falsidade e morte. Qual necessidade haveria da vinda de Cristo a este mundo, se os homens, naturalmente, pudessem compreender o caminho de Deus, entender a verdade de Deus e compartilhar da vida de Deus?

Nossos opositores dizem que os homens perversos possuem "livre-arbítrio", embora abusem dele. Se isso fosse realmente assim, então haveria algo de bom no pior dos homens. E se isso fosse realmente verdade, então Deus seria injusto ao condená-los. Entretanto, João diz que aqueles que não crêem em Jesus Cristo já estão condenados (Jo 3.18). Todavia, se os homens fossem possuidores dessa coisa boa chamada "livre-arbítrio", então João deveria ter dito que os homens só estão condenados por causa de sua parte má, e não devido àquela boa parte neles existente. As Escrituras dizem: "...o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (Jo 3.36). Sem dúvida está em pauta todo o homem. Pois, se assim não fosse, então haveria uma parte no homem capaz de impedi-lo de ser condenado, e ele poderia continuar pecando sem o menor temor, firmado no conhecimento que não poderia ser condenado.

Também lemos em João 3.27 que "o homem não pode receber cousa alguma se do céu não lhe for dada". Isso refere-se especialmente a capacidade da pessoa cumprir a vontade de Deus. Somente aquilo que vem do alto pode ajudar um homem a cumprir a vontade do Senhor. Mas o "livre-arbítrio" não vem do alto, o que significa que o "livre-arbítrio" é inútil.

Em João 3.31, diz ainda o mesmo apóstolo: "...quem vem da terra é terreno e fala da terra; quem veio do céu está acima de todos". Ora, por certo o "livre-arbítrio" não tem origem celestial. Pertence à terra, não lhe havendo outra possibilidade. E, assim sendo, isso só pode significar que o "livre-arbítrio" nada tem a ver com as realidades celestiais; cogita somente das coisas terrenas. O Senhor Jesus afirma, em João 8.23: "Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, eu deste mundo não sou". Se essa afirmativa de Jesus quisesse dizer apenas que os corpos de seus ouvintes eram terrenos, tal declaração seria desnecessária, pois eles já sabiam disso. O que Jesus quis dizer é que aos seus ouvintes faltava, de modo absoluto, qualquer poder espiritual, e que este só poderia ser recebido de Deus.

Martinho Lutero
In: Nascido Escravo, Ed. Fiel, Cap. 1, Argumento 18.
Via: Márcio Melânia, no grupo Textos Reformados

Mulher e teologia: uma mistura graciosa


"Dizem que mulher não gosta de teologia, mas que mentira absurda". Este poderia ser o primeiro verso de uma música sobre mulher e teologia. Embora pareça, teologia não é coisa de marmanjo, apenas. É bem verdade que numericamente elas estão em minoria, mas não a ponto de serem inexpressivas, pelo contrário, como em quase tudo que fazem, o fazem muito bem e não raro melhor do que os homens, destacando-se por isto.

Eu havia pensado em escrever sobre as mulheres da Bíblia, como Débora, Hulda, Priscila, Evódia, Eunice e tantas outras heroínas da fé. Ou sobre teólogas da história e do presente da igreja, tais como Hanah Adams, Jacqueline Arnaud, Madeleine Barot, Catherine Booth, Suzanne de Dietrich, Irene Foulkes,  Madame Guyon, Georgia Harkness, Anne Hutchinson, Juliana de Norwich, Aimée Semple Mcpherson, Lucretia Mott, Rosvita, Ruth Rouse, Letty Russel, Tereza de Ávila, Katharina Zell entre outras. Mas resolvi falar de algumas mulheres da blogosfera teológica. Infelizmente, o que segue é apenas uma amostra.

A Nani diz de si mesmo que está azedando a blogsfera há dois anos. Prefiro pensar que ela pega os limões dos mercadores da palavra e novidadeiros que invadem o pomar de Deus e nos serve deliciosas limonadas. Em sua caminhada na graça, Marcia Gizella não abre mão da graça, batendo sem dó nos que tentam vilipendiá-la com suas doutrinas e práticas heréticas. Como estrangeira no mundo, mesmo estando de passagem aqui, Vera Siqueira denuncia cartazes e videos de mascates e estelionatários da fé. E R. Reis, ao redor de jabuticabeiras publica a verdade e denuncia a mentira dos falsificadores da Palavra.

Não poderia deixar de falar da admirável Norma Braga e seu esforço para recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais. É um dos meus escritores preferidos na net, especialmente naquilo que consigo acompanhar. E nem da Ivonete Silva, que como eu ama tirinhas, mas também é uma teóloga capaz e com seu bom humor desfaz o estereótipo do calvinista sizudo. E, como a cereja do bolo se coloca por último, encerro mencionando a fiore delicato entre as teólogas da blogosfera.

Parabéns a todas as mulheres, mas especialmente àquelas que somam forças com a homarada na defesa da fé uma vez entregue aos santos e santas.

PS.: Estou certo que cometi alguma injustiça, deixando de indicar blogs de mulheres virtuosas da net. Injustiça que pode ser reparada pelos leitores e leitoras, indicando o que me escapou.

Cânones de Dort - Domingo 10


Eleição Baseada na Boa Vontade de Deus

Mas a causa desta eleição imerecida é exclusivamente a boa vontade de Deus. Isto não implica ele escolher certas qualidades ou ações humanas, entre todas aquelas possíveis, como condição para a salvação, mas ao contrário implica sua adoção de certas pessoas em particular dentre a massa comum de pecadores como sua própria possessão. Como dizem as Escrituras: Não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal... Foi dito a ela (Rebeca): O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú (Rm.9:11-13). Também: Creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna (At.13:48).

Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Rm 9:11-13

E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor. Gn 25:23

Eu vos tenho amado, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Em que nos tem amado? Não era Esaú irmão de Jacó? disse o Senhor; todavia amei a Jacó, e odiei a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto. Ml 1:2-3

E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna. At 13:48

Leia o primeiro artigo da série: 1. O direito de Deus de condenar todas as pessoas
Leia o artigo anterior da série: 9. Eleição não baseada em presciência de fé


Deus governa o mundo

Uma noite, quando um embaixador e seu assistente foram obrigados a dormir no mesmo quarto em um hotel, o assistente observou seu chefe se virar na cama, sem conseguir dormir.  

- Senhor, o que o incomoda?, ele perguntou. 

- Oh, eu tenho tantas coisas em minha mente. O peso da minha responsabilidade é difícil de suportar.

- Perdoe-me, senhor, mas o senhor acredita que Deus governou o mundo até agora?

- Claro. 

- E o senhor acredita que ele vai governá-lo mesmo depois que o senhor deixar esta vida? 

- Sem dúvida. 

- Então, por que o Senhor não confia que Ele pode fazer o mesmo durante a sua vida?

Ouvindo isto, o embaixador aquietou-se e logo estava dormindo.

Fonte: Illustrations of Bible Truths

Um dia a vida aqui acaba


Nós realmente não acreditamos que tudo terminará, não é? Se Deus não nos tivesse dito o contrário, pensaríamos que este desfile da vida continuaria para sempre. Mas ela terminará. Esta vida não é para sempre; tampouco é a melhor vida que existe. O fato é que os crentes são direcionados para o céu. Isso é realidade. E o que fazemos aqui na Terra tem relação direta com a forma que viveremos lá. O céu pode estar tão perto quanto o ano ou a semana que vem; portanto, aqui na Terra, faz muito sentido dedicar algum tempo aos pensamentos sinceros sobre o maravilhoso futuro que nos está reservado.

Joni Eareckson Tada
In: Céu - nosso verdadeiro lar

O coração no céu

Quando a mente está desocupada, ou é mal empregada, o demônio não precisa de uma grande vantagem; quando ele encontra os pensamentos voltados à cobiça, à revanche, à ambição ou ao dolo, que oportunidade ele tem para passar para a execução e levar o pecador a praticar aquilo em que seus pensamentos estão imersos! Mais ainda, se ele encontra a mente vazia, há espaço para qualquer coisa que ele queira trazer para ali depositar; mas, quando ele encontra o coração do homem no céu, que esperança ele pode ter de que quaisquer de seus movimentos sejam produtivos? Deixe-o tentar para que pegue qualquer caminho proibido, ou mostrar-nos a isca de algum prazer, a alma lhe responderá como Neemias: "Estou executando um grande projeto e não posso descer" (Ne 6.3).

Richard Baxter (1615-1691)

Experimentamos avivamento no Brasil?

Não é possível duvidar de que há focos de avivamento no Brasil hoje. Mas o crescimento dos movimentos evangélicos em si não justifica necessariamente o rótulo. A palavra avivamento surge da palavra “vida”, não apenas significando movimentação e barulho. Requer sinais verídicos da vida de Deus, sinalizando sua presença e ação no meio do seu povo. Felizmente, o livro de Atos dos apóstolos nos oferece um padrão genuíno para que possamos comparar os “avivamentos” modernos. A história da igreja também nos fornece exemplos de despertamentos que causaram impacto nos indivíduos e nas regiões. Fizeram diferença na história da humanidade e transformaram a feição do evangelicalismo e das missões.

Dr. Russel Shedd
In: Avivamento e renovação, Shedd Publicações

Eu tiro o chapéu para o filho de Suzana

Como calvinista convicto, vejo-me como um gafanhoto em terra de gigantes: Agostinho, Calvino, Lutero, Zwinglio, Tyndale, Knox, Bunyan, Hooper, Dering, Greenhan, Perkins, Sibbes, Flavel, Rogers, Baxter, Owen, Spurgeon, Edwards, Lloyd-Jones, Kuiper e Whitefield, para ficar nos mais antigos e não alongar demasiadamente a lista. Porém, o meu grande herói depois dos apóstolos é um arminiano.  E um arminiano militante, diga-se.

Neste mesmo dia, há 219 anos, por volta das 10 horas da manhã, John Wesley partia para  a glória, aos 89 anos de vida e 53 anos de um incansável ministério. Os que presenciaram a partida deste homem, cantaram um hino de louvor a Deus e ajoelharam-se pedindo que o manto de Elias caísse sobre as costas daqueles que ficaram neste mundo.


Deus é amor



Deus é a soma de Seus atributos. Negar ou diminuir a importância de qualquer de suas perfeições é fazê-lo menos Deus do que Ele realmente é. De igual modo, dar proeminência a um atributo, destacando-o dos demais, é apresentar uma idéia deformada da divindade. Qualquer proposição que comece com "o principal atributo de Deus é..." é enganoso e tende a desembocar numa heresia qualquer. Os atributos de Deus estão em plena harmonia, um não faz sombra a outro.

Estas considerações são necessárias quando alguém se propõe a falar do amor de Deus. Pois é fato que alguns, ante os requisitos de Sua santidade e justiça, podem querer suplantá-los com uma dose extra do amor divino. Por outro lado, os convictos de Sua soberania na salvação correm o risco de atenuar a dimensão do amor divino. Devemos afirmar, contudo, que Deus não é nem mais e nem menos amoroso que santo e justo! Ele é tanto amor, como espírito e luz.