As marcas da verdadeira igreja, de seus membros e da falsa igreja

Cremos que se deve discernir diligentemente e com muito cuidado, pela Palavra de Deus, qual é a verdadeira igreja, visto que todas as seitas, que atualmente existem no mundo, se chamam igreja, mas sem razão [l]. Não falamos aqui dos hipócritas que, na igreja, se acham entre os sinceros fiéis; contudo, não pertencem à igreja, embora sejam membros dela [2]. Mas queremos dizer que se deve distinguir o corpo e a comunhão da verdadeira igreja, de todas as seitas que se dizem igreja.

As marcas para conhecer a verdadeira igreja são estas: ela mantém a pura pregação do Evangelho [3], a pura administração dos sacramentos [4] como Cristo os instituiu, e o exercício da disciplina eclesiástica para castigar os pecados [5]. Em resumo: ela se orienta segundo a pura Palavra de Deus [6], rejeitando todo o contrário a esta Palavra [7] e reconhecendo Jesus Cristo como o único Cabeça [8]. Assim, com certeza, se pode conhecer a verdadeira igreja; e a ninguém convém separar-se dela.

Aqueles que pertencem à igreja podem ser conhecidos pelas marcas dos cristãos, a saber: pela fé [9] e pelo fato de que eles, tendo aceitado Jesus Cristo como único Salvador, fogem do pecado e seguem a justiça [10], amando Deus e seu próximo [11], não se desviando para a direita nem para a esquerda e crucificando a carne, com as obras dela [12]. Isto não quer dizer, porém , que eles não têm ainda grande fraqueza, mas, pelo Espírito, a combatem, em todos os dias de sua vida [13], e sempre recorrem ao sangue, à morte, ao sofrimento e à obediência do Senhor Jesus. NEle eles têm a remissão dos pecados, pela fé [14].

Quanto à falsa igreja, ela atribui mais poder e autoridade a si mesma e a seus regulamentos do que à Palavra de Deus e não quer submeter-se ao jugo de Cristo [15]. Ela não administra os sacramentos como Cristo ordenou em sua Palavra, mas acrescenta ou elimina o que lhe convém. Ela se baseia mais nos homens que em Cristo. Ela persegue aqueles que vivem de maneira santa, conforme a Palavra de Deus, e que lhe repreendem os pecados, a avareza e a idolatria [16].

É fácil conhecer estas duas igrejas e distingui-las uma da outra.

1 Ap 2:9. 2 Rm 9:6. 3 Gl 1:8; 1Tm 3:15. 4 At 19:3-5; 1Co 11:20-29. 5 Mt 18:15-17; 1Co 5:4,5,13; 2Ts 3:6,14; Tt 3:10. 6 Jo 8:47; Jo 17:20; At 17:11; Ef 2:20; Cl 1:23; 1Tm 6:3. 7 1Ts 5:21; lTm 6:20; Ap 2:6. 8 Jo 10:14; Ef 5:23; C1 1:18. 9 Jo 1:12; 1Jo 4:2. 10 Rm 6:2; Fp 3:12. 11 1Jo 4:19-21. 12 Gl 5:24. 13 Rm 7:15; G1 5:17. 14 Rm 7:24,25; 1Jo 1: 7-9. 15 At 4:17,18; 2Tm 4:3,4; 2Jo :9. 16 Jo 16:2.

Confissão de Fé Belga
Artigo 29

Sacrifício, dons e adoração

À proporção que as vidas são consagradas e as mentes transformadas, para entenderem a vontade de Deus em Sua total bondade e perfeição (Rm 12.1ss), surge um reconhecimento humilde da natureza do Corpo em Cristo (v.4). O corpo e a mente não são sacrificados num altar, segundo o modo da Antiga Aliança, mas incorporados em serviço ativo dentro do Corpo de Cristo, a Igreja. Os dons distribuídos pelo Espírito são um sinal claro da aprovação de Deus em relação aos sacrifícios vivos que Lhe foram oferecidos.

À medida que os dons são exercidos, o Corpo é tornado real na adoração resultante (Rm 12.6-8), segundo nos mostra a seleção de dons feita por Paulo. O profeta torna a voz de Deus audível e a Sua vontade conhecida (v.6). O servo ajuda a irmandade sacrificialmente, impelido pelo amor de Cristo (v.7). O mestre hábil informa e esclarece os corações dos não instruídos, de modo que eles também possam ser apresentados perfeitos em Cristo (v.7; Rm 15.16; Cl 1.28). Aquele que exorta oferecerá aos indivíduos o seu estímulo carinhoso (Rm 12.8). O doador se deleitará em compartilhar benefícios materiais com os necessitados (cf. At 2.42ss.). O líder tomará diligentemente a responsabilidade de guiar e organizar a igreja e suas atividades, para que as metas sejam atingidas e a missão seja cumprida. Os compassivos servirão o Corpo aliviando o sofrimento e oferecendo simpatia (cf. Rm 12.8). 

É altamente significativo o fato de toda essa ação do Corpo (cf.12.4, praxis) estar incluída no conceito de Paulo de adoração espiritual (latreia). Partes da adoração ritual expressas através de profecia, ensino e exortação, nas reuniões regulares da igreja, são integradas com o serviço (diakonia). Este, por sua vez, é manifestado através de ações orientadoras e misericordiosas, realizadas dentro e fora das reuniões congregacionais. Como vimos com o tempo, a adoração era considerada pelos escritores neo-testamentários como "em" e "extra" ecclesia por natureza.

Dr. Russel Shedd
In: Adoração Bíblica

A "injustiça" de Deus

Predestinação é uma palavra que provoca alergia em muita gente. É só dizer que Deus predestinou alguns para a salvação enquanto os demais foram deixados no pecado, que a grita é geral. “Isso é injustiça!”, “Deus é injusto!”.

Bem, seja como for, os escritores sagrados falam da predestinação. Paulo, por exemplo: “Porque Deus nos escolheu nele [Cristo] antes da criação do mundo [...]. Em amor nos predestinou…” (Ef 1.4-5).

Mas o fato de Deus não ter predestinado todos para a salvação seria “injustiça”? Pensemos.

Todos os homens, sem exceção, são pecadores; portanto, se todos fossem abandonados na perdição, isso seria plenamente justo da parte de Deus. Todos e cada um receberiam a justa paga pelo seu pecado. Mas Deus, que é soberano, decidiu escolher alguns e tirá-los dessa condenação, ou seja, ele não quis que todos perecessem, mas que alguns fossem salvos.

Desse modo, ele continuou sendo justo para com os que se perdem, pois são pecadores, mas demonstrou misericórdia para com os seus eleitos, os quais ele perdou em Cristo na cruz.

“Ah! Mas eu acho que ele deveria salvar todos”, diz alguém. Responde Deus: “Não me é lícito fazer o que quero do que é meu?” (Mt 20.15). Acho bom você ir se acostumando com a soberania de Deus.

José Moreno, um bispo anglicano que aceita a soberania de Deus.

Um chamado à batalha


(...) No culto de abertura do curso, há quatro anos atrás, eu disse que pela graça de Deus chegaríamos a esta noite de formatura. Por isso, toda honra e toda glória deve ser dada a Ele, por este momento tão especial.

Dirijo-me aos agora formados. Tive o privilégio de estudar juntamente com vocês as 36 matérias do curso de teologia. Se alguma coisa ensinei, Deus o sabe. Sei que aprendi, e muito. E agora tenho a honra de me dirigir a vocês e faltam palavras para expressar minha alegria pelo convite para ser paraninfo da turma.

Procurei uma passagem bíblica que expressasse meu sentimento para esta noite, e me ocorreu a carta do pastor Judas, da qual lerei o verso 3:
“Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”.
O momento é festivo e o que eu mais queria agora era discorrer sobre a nossa comum salvação. Falar sobre aquilo que eu e vocês temos experimentado em Cristo. De como o Senhor nos tirou de um charco de lodo, firmou os nossos pés sobre uma Rocha e pôs um novo cântico em nossos lábios. Seria ótimo relembrar de como o Senhor nos tem transportado das trevas para o reino do Seu amor. E de como Ele nos tem abençoado enquanto buscamos descobrir a sua boa vontade para conosco.

Mas, assim como aconteceu com Judas, também me vejo sob a obrigação de vos falar de algo menos agradável, porém mais urgente: a necessidade de batalhar pela fé uma vez entregue aos santos. 

Do que se trata essa fé? Não se trata da fé pessoal, salvadora. E sim, da verdade essencial do evangelho, o que em outras partes é chamado de sã doutrina. Refere-se ao fundamento dos apóstolos, a revelação contida no Novo Testamento. Essa fé foi entregue de uma vez por todas, o que significa que nenhuma nova revelação normativa será dada até a volta do Senhor. 

Essa verdade foi entregue aos cuidados dos santos, ou seja, da igreja. Cabe à igreja guardar o depósito da fé, por isso ela é chamada de coluna e baluarte da verdade. A linguagem de Judas e o contexto da epístola sugerem que essa fé sofrerá ataques de “indivíduos que se introduzirão de forma dissimulada” no exército do Senhor. E por isso a igreja deve batalhar diligentemente, defendendo com garra a fé que nos foi passada de mãos em mãos, desde os apóstolos até chegar a nós.

É neste ponto que os teólogos, chamados na Bíblia de mestres, provam seu valor para Cristo. Sabendo que os inimigos da nossa fé se introduzem na igreja dissimuladamente e que procuram fazer suas presas através de filosofias e vãs sutilezas, mas conhecendo a verdade do evangelho os teólogos servem como atalaias ao povo de Deus e no momento da luta, colocam-se na linha de frente da batalha, defendendo a verdade com amor, e o amor com a verdade.

Vocês foram chamados pelo Senhor. Foram preparados e equipados por Ele. Assumam suas posições. Sirvam à igreja com amor e aos seus pastores com humildade, mas combatam os inimigos da fé com coragem. E que Deus os abençoe!

Soli Deo Gloria

PS.: Discurso de Formatura da Turma de Teologia "Pastor Pedro Cortez", Toledo, PR.