Jesus à porta do coração?

"Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo." Ap 3.20

O versículo de Ap 3:20 é comumente utilizado para comprovar que Jesus está à porta batendo e é o homem que decide abrir ou não a porta. A aplicação feita é sempre em defesa do livre arbítrio do homem, em contraposição à doutrina da graça eficaz, pela qual Deus não apenas dá o desejo como a capacidade de crer nEle. A interpretação arminiana desse versículo é bem expressa numa figura onde Jesus está do lado de fora de uma porta, segurando com uma mão uma luz e com a outra batendo numa porta sem trinco pelo lado de fora. Uma legenda normalmente informa que a falta de trinco se explica pelo fato de que a porta do coração só se abre pelo lado de dentro.

Vamos estudar esse versículo sob dois aspectos, primeiro de forma isolada e depois em seu contexto e veremos se o mesmo ensina o que se alega ensinar.

O versículo de forma isolada não ensina o livre arbítrio

O versículo coloca Jesus à porta, batendo e falando para que a abram. O que leva alguém abrir a porta é o ouvir a voz dEle. Uma vez aberta a porta, Ele entra na casa e faz uma refeição com quem abriu a porta. Mais longe que isso não se pode ir na interpretação isolada dessa passagem.

É importante notar que palavras como livre arbítrio, vontade, querer e escolha sequer aparece no texto, embora fique implícito que há duas possibilidade: abrir e não abrir. Mas não há uma declaração positiva a respeito do livre arbítrio nem uma interpretação natural e necessária que requeira isso.

Voltando ao ato condicionante do abrir a porta: o ouvir a voz de Cristo. O texto bíblico não diz "ao ouvir" mas "se ouvir", deixando claro que nem todos ouvem. Na pregação do Evangelho, o ouvir é fator determinante:

"Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi" Isaías 55:3

"Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam a paz, dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedecem ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus." Romanos 10:14-17

O fato é que embora o Evangelho seja pregado a todos, sem distinção, nem todos ouvem o Evangelho, no sentido bíblico do termo:

"Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo"
Isaías 6:10


"Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados" Mateus 13:15

Jesus deixa bem claro, no Evangelho de João, que nem todos ouvem Sua voz, crêem em Suas palavras e O seguem. E dá a razão disso:

"Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão"
João 10:26-28


"Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz"
João 10:3-4


"Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor" João 10:16

"Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão" João 5:25

"Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra" João 8:43

"Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus" João 8:47

Das palavras acima fica claro que nem todos ouvem a voz de Jesus, que aquelas que ouvem é porque são as suas ovelhas e que aqueles que não ouvem, não ouvem porque não "sois das minhas ovelhas" e "não sois de Deus". Como o ouvir não é uma ação autônoma do homem, mas algo operado por Deus nele, fica claro que Ap 3:20, visto isoladamente, não ensina o livre arbítrio.

Mas estudar uma texto de forma isolada não é uma boa prática de interpretação, pois o todo texto deve ser lido e entendido à luz de seu contexto. E quando colocamos o texto em questão dentro de seu contexto percebemos claramente que o mesmo não é dirigido a não crentes e que, portanto, não é uma passagem evangelística.

O versículo em seu contexto não se refere a evangelismo

Vejamos o contexto bíblico imediato e mediato do texto em consideração:

"Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." Apocalipse 3:14-22

A série de sete cartas são dirigidas não a descrentes, mas aos crentes das igrejas estabelecidas na Ásia:

"Dizendo: O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia" Apocalipse 1:11

Da mesma forma, ao concluir cada carta, há um aviso solene:

"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas" Apocalipse 3:22

Todo o texto contido nas cartas apocalípticas se dirigem e se referem à igreja, portanto a crentes. Não é um texto evangelístico no sentido que está falando a pecadores não crentes que precisam abrir a porta de seus corações a Jesus. Se bem que é verdade que as pessoas devem ser instadas a crerem na mensagem do Evangelho e a aceitarem a Jesus, mas o texto em apreço não é um apelo dirigido a quem ainda não se converteu.

A carta em que Jesus diz estar batendo à porta é dirigida ao "anjo da igreja" de Laodicéia, o que creio seja o pastor da igreja. Com isso, a mensagem é dirigida a todos os crentes laodicenses. Jesus é direto ao dizer "conheço as tuas obras" e ao taxá-los de mornos. Eram crentes autoconfiantes, visto não sentirem falta de coisa alguma, sem perceberem a sua realidade de pobreza espiritual. Apesar disso Jesus os ama e por isso a disciplina seria certa. Conclama-os ao zelo e ao arrependimento. Todas essas palavras deixam claro que Jesus está se dirigindo a crentes e não a descrentes. Pois somente as obras de crentes tem valor gradual, a dos descrentes não tem valor algum, somente os filhos são disciplinados e somente crentes podem ser ter zelo com as coisas de Deus. Após dirigir essas duras palavras, e no mesmo fôlego, Jesus diz "eis que estou à porta e bato". Não há nada no texto que sugira, nem de longe, que Jesus mudou os destinatário de suas palavras. Ele continua falando com crentes, o que fica claro por dizer em seguida "ao vencedor", título somente atribuível aos feitos mais que vencedores por Cristo e pelo aviso solene para ouvir o que o Espírito diz "às igrejas".

A conclusão é que Apocalipse 3:20 não é dirigido a inconversos, mas a uma igreja que confiante em seus próprios recursos torna-se independente de Jesus, negando o Seu senhorio e, na prática, deixando-o de fora de seus assuntos. É um igreja em que Jesus bate à porta, querendo assumir a posição de centralidade que lhe é de direito, como aquele que é o cabeça da igreja. Concluir que Jesus está batendo à porta do coração de pecadores é fazer uma aplicação com demasiada liberdade de um texto fora de seu contexto.

Conclusão

Um texto deve ser compreendido à luz de seu contexto, apoiado sempre por passagens paralelas e em conformidade com o ensino geral das Escrituras, tendo em mente que a revelação bíblica é progressiva.

Assim, a análise isolada de um texto não serve para referendar uma doutrina, exceto se a mesma for ensinada claramente em outras passagens bíblicas. Não é o que ocorre com o popular, mas extra-bíblico, livre arbítrio. Não há nas Escrituras uma só passagem que o declare, e mesmo as inferências feitas a partir de algumas passagens como a de Apocalipse 3:20, após melhor exame, demonstram-se totalmente falhas. Isto porque, ao chegar ao texto pressupondo existir o livre arbítrio, até parece que o mesmo é ensinado em tal passagem. Mas posto à prova, o pressuposto mostra-se um equívoco.

Assim é que mesmo analisado de forma isolada, Apocalípse 3:20 não ensina nem dá apoio à filosofia humanista do livre arbítrio. E quando iluminado pelo contexto, tal passagem sequer está se referindo ou dirigindo a não crentes, mas a crentes mornos que negligenciaram o senhorio de Cristo e desenvolveram um falso senso de auto-suficiência.

De uma forma ou de outra, o fato é que Apocalipse 3:20 não apóia, nem indiretamente, o precioso livre arbítrio humano.

34 comentários:

  1. Gostei do texto. Principalmente da análise feita do texto isolado (primeira parte). Mas ainda me chama a atenção certos "vícios" do linguajar, como o que se segue: "Se bem que é verdade que as pessoas devem ser instadas a crerem na mensagem do Evangelho e a aceitarem a Jesus,..." (26° parágrafo). Não se pode coadunar a ação soberana do Espírito Santo na pregação da Palavra ao tratar com o coração das pessoas para crerem com a expressão - aceitar Jesus. No demais, o texto é ótimo. Que Deus continue a abençoá-lo.

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  2. Pastor Menga,

    Obrigado pelo comentário e apreciação.

    Não acho que instar a crer no evangelho seja "vício" de linguagem. A Bíbla diz "arrependei-vos, e crede no evangelho" (Mc 1:15).

    Clóvis

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  3. Um texto simplesmente maravilhoso. E toca num tema interessante: a oferta do Evangelho. Os calvinistas podem "ofertar" o Evangelho? Bem, infelizmente o termo "oferta" está, hoje, carregado de uma conotaçõa mercantilista, porém, imagino uma resposta afirmativa: Que quiser vir, então, venha! Quem puder ouvir, então, venha! A chamada externa atinge todas as pessoas, mas a vocação eficaz, apenas aos eleitos: estes, são capaze de ouvir e vir; estes são capazes de desejar vir, e virão!

    Parabens pelo texto, maravilhoso!

    Paz e bem!

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  4. Marcelo,

    Obrigado por suas palavras incentivadoras.

    Soli Deo Gloria!

    Clóvis

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  5. Amado Clóvis,

    Creio que o Pastor Menga quis se referir ao termo "aceitar" a Jesus, pois parece que Jesus é um coitado, e você tem que "aceitá-lo".

    Esse termo "enfraquece" a ordem de Deus de arrependimento e fé dada aos homens.

    Acho que foi isso que ele (Menga) quis dizer.

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  6. Neto,

    Se for eu entendo e concordo. Apenas não acredito que "crer em Jesus" seja sinônimo de "aceitar a Jesus".

    Clóvis

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  7. Clóvis, meu caro,
    Entendo como o Neto o que disse o Pastor Menga. Do mesmo modo, eu rejeito a expressão "aceitar Jesus". Em uma antiga postagem eu comentei:

    A propósito disso, repito e reforço minha rejeição pela expressão "aceitar Jesus", que enfatiza apenas a resposta humana ao chamado divino. No seu lugar, uso sempre a expressão "entregar-se a Jesus". Talvez a expressão "render-se a Jesus" seja ainda mais apropriada. Mas ambas carregam em si um elemento de sujeição, dando ênfase ao chamado de Deus, elemento que está completamente ausente da primeira expressão.

    No amor do Senhor,
    Roberto

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  8. Clóvis,

    Essa coisa de "aceitar" a Jesus está tão arraigada nos discursos evangelísticos da igreja moderna que dificilmente esta mesma igreja consegue conceber uma forma mais adequada de convidar o pecador ao arrependimento. Quem popularizou essa ideia foi Charles Finney, e essa herança perdurou. Eu, particularmente, rejeito por completo essa ideia de alguém "aceitar" a Cristo, como se tivesse ao alcance do homem a escolha da salvação. Sei que você, assim como eu, crê irrestritamente na escolha soberana de Deus, mas o fato é que certas expressões que usamos, talvez por costume, talvez por descuido, acabam comprometendo a própria mensagem do evangelho em que cremos. Não dá pra ser calvinista na doutrina e arminiano no "apelo". Desconheço essa expressão ("aceite a Jesus") nas pregações dos grandes missionários e pregadores reformados da história. Também não vejo nada parecido nas Escrituras.

    Não estou dizendo que você adere a essa ideia, de jeito nenhum! Longe de mim tal injustiça! Estou apenas aproveitando esse espaço para expôr um pouco do que penso sobre esse assunto.

    Seu texto está ótimo, como sempre. Parabéns!

    Abraços...

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  9. Prezado Irmão Clóvis, Graça e Paz.
    Primeiramente, quero dizer que concordo integralmente com o texto que o irmão escreveu. Isto porque, está totalmente embasado na Bíblia, e está de acordo com o cerne da doutrina bíblica reformada.

    Isso, sem dúvida, reflete o vosso entendimento doutrinário do qual compartilhamos.

    Sim, o meu ponto foi o emprego do termo "aceitar Jesus", que é empregado cotidianamente em nossas igrejas. Eu até já ouvi pastores pregando "reformadamente", mas na hora "H", usou o famoso apelo de Finney, bem lembrado pelo irmão Leonardo Galdino.

    Sim, concordo também, que "crer em Jesus" não é sinônimo de "aceitar". São água e óleo! Pois a fé para crer é dom de Deus (Efésios) e aceitar é uma resposta humana que pode ser enganosa.

    Tenho certeza que o irmão não empregou o termo com a conotação arminiana. Eu mesmo aprendi, mesmo vigiando constantemente durante a pregação, que às vezes o erro acontece.

    Eu também me utilizo dos termos "entregar-se a Jesus" e "render-se a Jesus" do irmão Roberto Vargas.

    Apenas para reforçar, e para encerrar, o termo "aceitar" sempre vem reforçado do texto de Apocalipse, tão bem comentado pelo irmão.

    Reforso meu respeito e consideração pelo irmão e irmãos leitores de seu Blog. Deus os abençoe.

    Pr. Menga

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  10. Clóvis

    Não concordo com você. Com essa explicação você esta parecendo com aqueles calvinistas que imaginam que a igreja não é lugar pra pecadores “mortos” e sim para os “santos” de Deus, que não precisam de pregação evangelística. Se você fizer um pouquinho de esforço vai perceber a situação da igreja, naquele momento, e notar que era isso mesmo que estava sendo feito, chamando o homem a sua responsabilidade.

    “Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.”

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  11. Anônimo,

    Que a igreja visível ou professante não é composta apenas de salvos todo calvinista admitem. Que os que se reunem na igreja há os que precisam ser evangelizados também é ponto pacífico entre calvinistas. Então eu acho que é você que imagina calvinistas que confundem filiação religiosa com ingresso na igreja universal.

    O ponto porém não é este. Se você ler as cartas, verá que Jesus faz separação entre os que são igreja dos que estão na igreja sem o ser.

    Na primeira carta ele elogia Éfeso por odiar os nicolaítas, que ele também odeia, na segunda ele se refere aos que se dizem judeus mas não o são, na terceira ele se refere aos que seguem a doutrina de Balaão e novamente refere-se aos nicolaítas, à quarta igreja ele se refere à falsa profetisa Jezabel e seus seguidores, ressalvando porém que havia ali um "restante" que não seguiam essa mulher e não procuravam as profundezas de Satanás, à quinta igreja ele se refere aos mortos e aos que estavam para morrer, mas destaca que havia os que não contaminaram as suas vestes, à sexta igreja ele se refere aos da sinagoga de Satanás que se diziam judeus mas destaca os não negaram o seu nome.

    Em todas essas cartas Jesus se dirige à igreja e se refere aos falsos irmãos, pois diferente de nós ele conhece o coração de cada um. Na sétima carta, porém, ele não se refere aos falsos crentes, tal era a situação deplorável da igreja. Ele mantém o padrão e se dirige à igreja, repreendendo-a pela sua arrogância e oferecendo-se para ser o centro dela.

    Portanto, não acho que Jesus estivesse fazendo apelo aos não nascidos de novo da igreja, para que abrissem os seus corações a ele. Pois se fosse o caso, estaria fugindo ao padrão estrutural das outras seis cartas.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  12. Houve uma reprovação total da igreja de Laodiceia. Eis o motivo das palavras de Jesus.

    Apocalipse 2

    1 ESCREVE ao anjo da igreja que está em Éfeso:

    4 Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.
    5 Lembra-te, pois, de onde caíste, e ARREPENDE-TE, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, SE NÃO te arrependeres.

    8 E ao anjo da igreja que está em Esmirna

    10.... SÊ FIEL ATÉ À MORTE, e dar-te-ei a coroa da vida.


    12 E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve:

    16 ARREPENDE-TE, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca.
    17 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: AO QUE VENCER darei eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.

    18 E ao anjo da igreja de Tiatira escreve:

    25 Mas o que tendes, Retende-O até que eu venha.
    26 E AO QUE VENCER, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações,

    Apocalipse 3

    1 E AO anjo da igreja que está em Sardes escreve:

    5 O QUE VENCER será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.

    7 E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve:

    11 Eis que venho sem demora; GUARDA O QUE TENS, PARA QUE NINGUÉM TOME A TUA COROA.

    14 E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve:

    15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
    16 Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, VOMITAR-TE-EI da minha boca.
    19 Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e ARREPENDE-TE.
    20 Eis que estou à porta, e bato; SE ALGUÉM OUVIR a minha voz, e ABRIR A PORTA, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.

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  13. que DEUS abençoe pelo estudo tirei muitas dúvidas creio na palavra de DEUS já mais duvidarei pois sei que DEUS é luz do mundo ele ama todos e quer ver todos salvos mais infelismente temos o livre abritos para escolher o que certo ou errado JESUS não é intruso.DEUS tudo fez e trudo fará a única coisa que deus NÃO FARÁ É ENTRA NO SEU CORAÇÃO SEM SER CONVIDADO. UMA ABRAÇO

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  14. Clóvis irmão,

    1. Um predestinado(escolhido para ser salvo) pode se perder? Pode cair no pecado? Pode escolher o pecado?
    1.1 Se pode, o que faz ele diferente de um não-salvo? Deus faz acepção de pessoas iguais? E o Deus de amor?
    1.2 Se não pode, porq várias das passagens citadas acima faz alguém escolher ser perdoado? Se se esses santos escolhidos não escolherem, deixaram de ser perdoados?

    Hoje fiquei um pouco inquieto com esse texto por ti produzido, pois nunca vi tamanha confusão em algo tão simples!
    Vou orar para que o Santo Espírito posso nos dê o entendimento necessário para que sejamos fieis aos seus ensinamentos e somente a eles.

    Que a paz e o entendimento divino esteja conosco...

    Rayson Romulo

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  15. De Clovis para Clovis,

    Sem duvida alguma esse foi um ótimo post, se não houvesse a teologia de Finney, e as heresias Arminianas, não haveria tanta confusão em nossos dias .

    Paz e Graça a todos!!

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  16. Fala xará!

    Infelizmente o puro evangelho é oferecido misturado com boa dose de humanismo. Por isso, porta expormos o evangelho em sua simplificadade.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  17. Clóvis, parabéns pela cristalinidade do seu texto. Bem elucidativo. Na verdade o problema sobre Ap 3:20 é mais linguístico do que teológico.

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  18. Cleber,

    Soli Deo Gloria. De fato, a maioria dos "textos arminianos" na verdade são apenas textos, que os defensores do livre-arbítrio se encarregam de fazer parecer arminianos. Geralmente uma leitura simples, perguntando o que o texto declara e que não declara, elucida a questão.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  19. Clóvis:

    Parece igualmente "dificultoso" para o entendimento negador do livre-arbítrio, entender que Nosso Senhor Jesus Cristo tenha que "bater à porta" para que seja o centro da Igreja que o colocou de lado, "fora de seus assuntos".

    Ele quer, e pede, algo até mais fácil (e sendo de direito Seu), pois o desejo de ser o centro entre os seus é bem mais fácil de ser realizado do que salvar o pecador.

    Gostaria de conhecer sua posição diante desse argumento (se é que consegui explicá-lo).

    Até logo.

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  20. Ressuscitando threads:

    O versículo coloca Jesus à porta, batendo e falando para que a abram. O que leva alguém abrir a porta é o ouvir a voz dEle. Uma vez aberta a porta, Ele entra na casa e faz uma refeição com quem abriu a porta. Mais longe que isso não se pode ir na interpretação isolada dessa passagem.

    Uma tentativa de graça irresistível? Eu poderia achar isto bem desonesto - afinal, ou você demonstra que o calvinismo é verdadeiro, ou tenta obter uma contradição entre as crenças arminianas. Não sei se é seu caso, mas não vou brincar de ler mentes...

    Ao falar 'o que leva alguém a abrir a porta é a voz', não me parece nem um pouco plausível. Primeiro, não há menção direta a Jesus falando, apenas batendo. Mas, pelo bem do seu argumento, vamos pensar que Jesus bata e diga "Ei, sou eu, o Filho de Deus". Por que eu deveria pensar que a fala de Jesus é tão hipnotizante assim?
    Será que é só alguém falar, que você abre a porta da sua casa? No mundo real, isto não faz sentido algum (a não ser que você viva onde não existem bandidos :)). Ah, mas você vai apelar para a graça irresistível ou para a onipotência - ao que te deixo com todo o ônus da prova...
    Engraçado que você fala que não devemos ir longe no texto, mas acaba indo longe também, ao pressupor graça irresistível!

    De todo modo, este texto casa muito bem com a ideia de graça resistível arminiana.

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  21. É importante notar que palavras como livre arbítrio, vontade, querer e escolha sequer aparece no texto, embora fique implícito que há duas possibilidade: abrir e não abrir. Mas não há uma declaração positiva a respeito do livre arbítrio nem uma interpretação natural e necessária que requeira isso.

    É bem divertida essa abordagem calvinista: 'o texto não diz isso, o texto não escreve aquilo'.

    Ao bater a porta e se anunciar, pode ocorrer uma de duas coisas:

    1 - Não abrir;
    2 - Abrir e daí cear.

    Como se passa do estado anterior - bater - ao estado posterior - abrir e cear, ou negar?

    Como eu dizia, este versículo bate com a ideia de graça preveniente: se Jesus não bater à porta do coração, a pessoa não vai sequer saber que Deus existe.
    No entendimento comum do pelagianismo, a pessoa sairia de casa e correria atrás de Jesus. Mas isto é falso - é Jesus quem vai até a porta e bate. Novamente, eu perguntaria: o homem abre a porta por sua vontade ou alguém o hipnotiza?

    Quanto a 'interpretação necessária e natural que implique', isto é só fumaça.

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  22. Voltando ao ato condicionante do abrir a porta: o ouvir a voz de Cristo. O texto bíblico não diz "ao ouvir" mas "se ouvir", deixando claro que nem todos ouvem. Na pregação do Evangelho, o ouvir é fator determinante:

    Estranho falar "se ouvir" e concluir daí que nem todos ouvem. Não há nada além de senso comum aí. E antes que digam alguma coisa, calvinistas negam o senso comum a todo o momento - por exemplo, ao fazer "duplos twists carpados" na expiação ilimitada...

    O que significa ouvir a voz de Cristo? A graça irresistível? Como disse acima (e esqueci de mencionar devidamente), Jesus bate à porta.

    Por que Jesus bate à porta de pessoas que Ele mesmo fez questão de arrancar os ouvidos, ou de pessoas para as quais ele jamais vai dar ouvidos novos? Pra depois brincar com elas e falar 'eu abri mas vocês não me ouviram'... Mais uma vez, uma Pegadinha Do Mallandro Divina!

    Ou mais uma vez vai negar o senso comum? Aliás, veja: Jesus está do lado de fora, e não tem ninguém dentro além da pessoa. Caso você cite que Deus dá ouvidos para que ouçam, como é que Ele faz isto, se a casa tá fechada?

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  23. Ademais, o ouvir aqui implica o aceitar. Tal aceitação é incondicional? Mais uma vez, pressuposições calvinistas à vista!

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  24. "Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi" Isaías 55:3

    Olha só a ordem: ouçam, venham, e viverão. E não, como a graça irresistível faz: vos faço viver, e e virão a mim. O ouvir aqui, não é simplesmente ouvir como quem ouve uma novela - é ouvir, refletir e aceitar como verdadeiro. Ou você por acaso aceita coisas sem testar elas? Se for assim, como você pode saber se aquilo que as pessoas falam - inclusive você - é verdade? Não dizia Lucas (ou Paulo, não lembro) que os bereanos eram bem-abventurados por conferirem tudo com a Escritura?



    "Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?

    Pois é, mas tem muita coisa em jogo aí.
    Não se invoca aquele em quem não se crê - mas crer implica invocar?

    Lógica de primeira ordem...

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  25. De fato, a maioria dos "textos arminianos" na verdade são apenas textos, que os defensores do livre-arbítrio se encarregam de fazer parecer arminianos.

    É legal ver esse povo olhar pra Bíblia e dizer 'arminiano, calvinista, arminiano, calvinista'. E depois, pros muitos 'arminianos' ou 'livre arbítrio' que acha (e, claro, usa uma definição capenga de livre arbítrio, e diz 'olha, mas é nisso que o arminiano acredita!'), faz uma exegese torturante, e depois diz 'olha como somos estudados, espertos, iluminados, etc.'

    Geralmente uma leitura simples, perguntando o que o texto declara e que não declara, elucida a questão.

    Isso seria verdade, se você não aplicasse a TULIP antes. É sempre desse mesmo jeito: TULIP primeiro, Bíblia depois. Botas da Doutrinação sempre bem calçadas!

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  26. Entendo que o termo "aceitar" seja impróprio, pois denota um ato do ser humano, que, conforme as Escrituras, está morto em seus delitos e pecados. Sempre uso da analogia: em velório, morto não aceita o café servido aos presentes. Outra implicação grave é "coisificar" a pessoa de Jesus, como se ele fosse um item de festa, uma iguaria a ser servida a convidados. Arrepender-se e crer são os atos do convertido, antes eleito, cujo ser é transformado pelo Espírito: logo, os olhos espirituais se abrem, ele "reconhece" a Jesus como Senhor e Salvador. Por essa razão, melhor termo é reconhecer a Jesus, não aceitá-lo. Crente não aceita a Jesus, reconhece-o como Senhor e Salvador, por ação do Espírito.

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  27. Não há possibilidade nenhuma de o homem se chegar a Deus porque está afundado no lamaçal do pecado, é como alguém preso na areia movediça é preciso que alguém estenda a mão para poder tirá-lo,e só Deus com seu Santo Espírito para tocar no coração do homem.Jesus diz: ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer João 6.44

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  28. o texto é muito bom, e esta me ajudando muito se algum tiver mais topicos que explica assim me passe ,quero ler sobre o adultério e perdão de cristo sobre isso e casamento sem a benção de DEUS.obrigada

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  29. Obrigada, Clóvis pelo excelente esclarecimento!
    Sempre aprendendo...

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    1. Ira,

      Soli Deo Gloria.

      Fico feliz se Deus me torna útil.

      Em Cristo,

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  30. Fiquei mais confuso ainda com todos os comentarios aqui Sr. CLOVIS!
    - DEUS já escolheu quem será salvo e quem será perdido?
    - Como saber se DEUS me escolheu para salvação ou para perdição?
    - Como então que tem evangelico que bate na minha casa e diz que tenho que aceitar JESUS p ser salvo?
    - Afinal, quem escolhe SER SALVO: a pessoa ou DEUS que escolhe ?
    - Se voces dizem que só JESUS salva TODOS que nele crer; que dizer q seu eu for crente e DEUS NÃO ME ESCOLHEU P SER SALVO; não adianta ir para igreja, ser crente?
    - Qual o critério que DEUS usa para salvar uns e perdoar outros?
    - Quer dizer que se DEUS ESCOLHEU para SALVAÇÃO Hither , Mussolini, Beirar-mar; eles foram salvos mesmo sendo crueis?

    Fiquei confuso

    novo convertido

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    1. Josué,

      Se você é novo convertido, não se preocupe em entender tudo de imediato, nem se perturbe com aquilo que você achar confuso. O Senhor trabalhará na sua vida e iluminará a sua mente, para que progressivamente você compreenda melhor o que Deus diz na Bíblia.

      1. Sim, de acordo com a Bíblia Deus já escolheu na eternidade quem Ele vai salvar. Esta doutrina é chamada de eleição e é bem declarada nas Escrituras. Embora não escolha positivamente aqueles que irão se perder, ao escolher os que vão se salvar, os preteridos irão se perder.

      2. Você crê em Jesus Cristo e confia unicamente Nele para sua salvação? Se sim, então você é um eleito e não precisa fazer disso motivo de preocupação ou dúvida. Se você ainda não crê em Jesus, não significa que não foi eleito. Os eleitos são chamados em tempo oportuno, quando Deus os faz nascer de novo.

      3. "Aceitar Jesus" não é um termo muito preciso, melhor usar os termos bíblicos "ir a Cristo" ou "crer em Cristo". Se entendido nestes sentidos, "aceitar Jesus" é necessário, mesmo que já se seja eleito. Pois a eleição é para a salvação, não a salvação em si.

      4. A escolha é primeiramente de Deus, e depois nossa. Jesus disse "não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi" e João testemunhou que "nós o amamos porque Ele nos amou primeiro". A escolha decisiva é Deus, pois Ele nos chama de uma maneira tão graciosa que não rejeitamos ir.

      5. Como explicado no item 2, se você crê em Jesus, então você é um eleito. Como a fé "é dos eleitos de Deus", só quem foi escolhido pelo Senhor irá crer no devido tempo. Portanto, quem crê em Jesus não precisa se preocupar com a própria eleição.

      6. Não sabemos qual o critério que Deus usou, sabemos quais Ele não usou. Ele não nos escolheu por que nós somos ou fazemos, nem por algo que Ele anteviu que faríamos. Ou seja, a causa de nossa eleição não está em nós, mas em Deus.

      7. Não podemos fazer afirmação sobre a salvação de ninguém que já morreu, exceto se a Bíblia declara seu estado eterno de forma específica. Não é o caso de nenhuma dessas pessoas, então, não podemos afirmar nada sobre a salvação deles. Podemos apenas inferir que o que eles fizeram não condiz de forma alguma com a vida de uma pessoa nascida de novo. Porém, não sabemos com certeza se tais pessoas creram e se arrependeram de seus pecados antes de morrer. E não é bom ficarmos especulando. O que podemos afirmar é que se eles creram e se arrependeram, Deus pode perdoá-los, pelos valor infinito do sangue de Seu Filho.

      Persistindo alguma dúvida, pode perguntar.

      Em Cristo,

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  31. Olá Clóvis

    Boa noite

    Não consegui entender qual é a visão calvinista quando fiz um paralelo entre 1 Timóteo 2:4 com Romanos 5:12. A palavra todos no grego é a mesma?

    um abraço

    Luiz

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    1. Luiz,

      O sentido de uma palavra qualquer é dado pelo contexto. Isso é particularmente importante quando consideramos as palavras "mundo" e "todos".

      Sugiro que você leia o artigo Todos sempre significa todos?

      Em Cristo,

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"Se amássemos mais a glória de Deus, se nos importássemos mais com o bem eterno das almas dos homens, não nos recusaríamos a nos engajar em uma controvérsia necessária, quando a verdade do evangelho estivesse em jogo. A ordenança apostólica é clara. Devemos “manter a verdade em amor", não sendo nem desleais no nosso amor, nem sem amor na nossa verdade, mas mantendo os dois em equilíbrio (...) A atividade apropriada aos cristãos professos que discordam uns dos outros não é a de ignorar, nem de esconder, nem mesmo minimizar suas diferenças, mas discuti-las." John Stott

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